Ex-desembargador Bartolomeu Bueno. Foto: Reprodução
Um desentendimento entre o ex-desembargador Bartolomeu Bueno de Freitas Morais, aposentado do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e ex-presidente do Conselho Fiscal do Santa Cruz Futebol Clube, e o entregador de aplicativo Miqueias Santos de Moraes terminou em confusão na noite do dia 17 de setembro, no bairro da Madalena, Zona Oeste do Recife.
O caso envolveu arma de fogo, discussão com policiais militares e resultou em um boletim de ocorrência por ameaça e desacato registrado na Delegacia do Cordeiro.
O episódio foi revelado inicialmente pelo jornalista Emerson Freitas em suas redes sociais na terça-feira, 23 de setembro, e ganhou repercussão após os relatos de testemunhas e a versão dos envolvidos.
Segundo Miqueias, o desentendimento começou nas proximidades do Espetinho do Picuí, na Rua Benfica. Ele contou que aguardava uma entrega quando Bartolomeu Bueno chegou de carro, apontou um revólver calibre 38 na sua direção e ordenou que ele saísse do caminho. Sentindo-se ameaçado, o entregador procurou uma viatura da Polícia Militar para denunciar o caso.
Dois policiais foram deslocados até o local e, de acordo com o relato, o ex-desembargador teria se exaltado, ofendido os agentes e exibido a arma que carregava na cintura. Os PMs ainda afirmaram que Bartolomeu apresentava sinais de embriaguez.
O boletim de ocorrência registra que, diante do comportamento de Bartolomeu, os militares acionaram o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) para pedir reforços. Antes da chegada de mais viaturas, o ex-desembargador teria tentado deixar o local, mas foi contido pelos agentes.
Ainda conforme o relato do entregador, Bartolomeu colocou a arma no banco do carro. Nesse momento, Miqueias conseguiu retirar o revólver do veículo e entregou aos policiais.
Com a chegada de um oficial identificado como tenente Ximenes, o clima ganhou novos contornos. O oficial teria prestado continência ao ex-desembargador e até se oferecido para escoltá-lo até sua casa, proposta que foi recusada por Bartolomeu.
Em entrevista ao g1, Bartolomeu Bueno negou que tenha apontado a arma para o entregador. Ele disse que apenas retirou o revólver do carro para colocá-lo na cintura, alegando preocupação com a violência na região.
“Ali está tendo muito assalto. Eu estava com meu revólver, mas em nenhum momento apontei para ele. Só pedi que afastasse a moto para não bater”, afirmou.
O ex-desembargador também confirmou ter consumido bebida alcoólica antes da confusão e alegou ter apresentado o registro da arma e sua carteira funcional aos policiais. Ele disse ter sido vítima de violência policial e que as imagens de câmeras de segurança vão comprovar sua versão.
“Foi tudo ilegal, quem sofreu violência fui eu. O sargento me desacatou, eu sou uma autoridade superior a ele”, declarou.
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