A pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem avançado no desenvolvimento de pesquisa inédita voltada à regeneração da medula espinhal.
27 de fevereiro de 2026 às 17:12 - Atualizado às 17:37
Deputados federais Eduardo da Fonte e Lula da Fonte e a cientista Tatiana Coelho de Sampaio da UFRJ. Foto: Divulgação
Os deputados federais Eduardo da Fonte (PP) e Lula da Fonte (PP) protocolaram, na Câmara dos Deputados, um requerimento de voto de louvor à cientista Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pelo desenvolvimento de pesquisa inédita voltada à regeneração da medula espinhal.
À frente do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Tatiana coordena estudos sobre a polilaminina, proteína derivada da laminina, com potencial para estimular a regeneração neural em pacientes com lesão medular grave, como casos de tetraplegia e paraplegia.
Resultados iniciais indicam melhora neurológica relevante em seis dos oito pacientes avaliados, com conversão da escala AIS de A para C ou D, índice superior ao registrado na literatura médica para casos não tratados.
Segundo os parlamentares, a iniciativa representa avanço expressivo para a medicina e para a saúde pública, sobretudo diante da estimativa de 6 a 8 mil novos casos de trauma raquimedular por ano no Brasil. O medicamento encontra-se na fase inicial de ensaios clínicos, após autorização da Anvisa.
“Ao apresentar este voto de louvor, queremos reconhecer a trajetória da doutora Tatiana e reafirmar que investir na vida e no conhecimento científico brasileiro é investir no futuro do nosso país. Precisamos fortalecer a pesquisa feita aqui, para os brasileiros. O Brasil é capaz, tem inteligência, tem competência e pode liderar descobertas que transformam realidades”, ressaltou Eduardo da Fonte.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico para avaliar a segurança do uso do medicamento polilaminina no tratamento do trauma raquimedular agudo, que é uma lesão da medula espinhal ou coluna vertebral.
No anúncio feito, em janeiro deste ano, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a pesquisa será um marco importante para quem sofreu uma lesão medular e também para as suas famílias.
“Cada avanço científico é sempre uma nova esperança renovada”, disse Padilha.
Pesquisa em universidade pública
O ministro considera que o produto é uma inovação radical e com tecnologia 100% nacional. Os estudos com polilaminina são desenvolvidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália.
Segundo Padilha, a pesquisa já apresentou resultados promissores na recuperação de movimentos. Nesta primeira fase, o estudo da polilaminina será realizado em cinco pacientes voluntários com lesões agudas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10.
Essas pessoas incluídas no estudo devem ter indicação cirúrgica ocorrida a menos de 72 horas da lesão. Os locais de realização ainda serão definidos pela empresa responsável. Ao longo da estruturação do projeto, o Ministério da Saúde investiu os recursos para a pesquisa básica.
Prioridade
Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a aprovação do início do estudo clínico da polilaminina foi priorizada pelo comitê de inovação da agência com o objetivo de acelerar pesquisas e registros de amplo interesse público.
“Uma pesquisa 100% nacional, que fortalece a ciência e saúde do nosso país”, afirmou Leandro Safatle.
A pesquisa com a proteína polilaminina, presente em diversos animais, inclusive nos seres humanos, visa avaliar a segurança da aplicação do medicamento e identificar possíveis riscos para a continuidade do desenvolvimento clínico.
A empresa patrocinadora será responsável por coletar, monitorar e avaliar sistematicamente todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos participantes.
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