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Trump pode classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas?  Caso da Venezuela acende alerta

Possível decisão dos EUA levanta preocupações sobre soberania, sanções econômicas e precedentes internacionais após a captura de Nicolás Maduro.

Portal de Prefeitura

05 de janeiro de 2026 às 13:08   - Atualizado às 13:24

Governo Trump e Facções brasileiras.

Governo Trump e Facções brasileiras. Foto Montagem/Portal de Prefeitura

A possibilidade de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas voltou ao centro do debate internacional e acendeu um sinal de alerta no Brasil. A discussão, que envolve segurança pública, diplomacia e economia, ganha ainda mais peso diante dos recentes acontecimentos na Venezuela, onde uma operação americana resultou na captura de Nicolás Maduro, provocando reações globais sobre soberania e direito internacional.

A avaliação em curso em Washington levanta questionamentos sobre até onde os EUA podem ir ao usar a classificação de “terrorismo” como instrumento político e jurídico, e quais seriam os efeitos colaterais dessa decisão para países parceiros, como o Brasil.

Pressão dos EUA e o debate sobre o PCC e o CV

Fontes diplomáticas indicam que integrantes do governo americano defendem a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. Caso isso ocorra, Washington passaria a ter respaldo legal para impor sanções financeiras, congelar ativos, ampliar o monitoramento de transações internacionais e reforçar ações de cooperação sob o rótulo de “narcoterrorismo”.

O governo brasileiro, no entanto, já rejeitou formalmente essa possibilidade em reuniões diplomáticas. Para Brasília, as facções são organizações criminosas voltadas ao lucro e ao controle territorial, sem motivação ideológica, religiosa ou política, critérios exigidos pela legislação brasileira para a caracterização de terrorismo.

Por que o governo Lula resiste à classificação

A resistência do governo Lula se apoia em dois pilares principais: o marco legal e a soberania nacional. A Lei Antiterrorismo brasileira estabelece que o terrorismo pressupõe uma causa ideológica ou política, o que, segundo a interpretação oficial, não se aplica ao PCC e ao CV.

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Além disso, autoridades brasileiras avaliam que aceitar uma classificação estrangeira desse tipo abriria precedentes perigosos. Uma decisão unilateral dos EUA poderia ser vista como ingerência em questões internas de segurança pública, afetando a autonomia do país na definição de suas próprias políticas criminais.

Impactos econômicos e riscos para o sistema financeiro

Um dos maiores temores do governo brasileiro diz respeito às consequências econômicas. Caso os EUA classifiquem as facções como terroristas, bancos e empresas brasileiras poderiam ser alvo de sanções secundárias, mesmo sem envolvimento direto com atividades criminosas.

Isso incluiria restrições a operações em dólar, congelamento de ativos e aumento do escrutínio internacional sobre transações financeiras. Especialistas alertam que medidas desse tipo podem afetar o comércio exterior, afastar investidores e gerar instabilidade no sistema financeiro, criando um ambiente de insegurança jurídica.

O elo com a Venezuela e o precedente internacional

Os recentes acontecimentos na Venezuela reforçaram as preocupações de Brasília. A captura de Nicolás Maduro por forças americanas, sob a justificativa de combater ameaças à democracia e ao narcotráfico, foi duramente criticada por países como China e Rússia, que classificaram a ação como violação do direito internacional.

Para o governo brasileiro, o episódio venezuelano demonstra como a ampliação do conceito de terrorismo pode servir de base para sanções severas, isolamento econômico e até intervenções diretas. Embora o contexto brasileiro seja diferente, autoridades avaliam que a lógica aplicada à Venezuela pode inspirar decisões semelhantes em outros cenários.

Segurança pública ou geopolítica?

Outro ponto sensível é a mudança de abordagem no combate ao crime organizado. Se PCC e CV fossem enquadrados como terroristas, o tratamento deixaria de ser exclusivamente policial e judicial, passando a envolver instrumentos típicos do antiterrorismo, como leis especiais, cooperação internacional ampliada e maior atuação de agências de inteligência estrangeiras.

Esse deslocamento do debate da esfera criminal para a geopolítica preocupa o Planalto, que teme perder controle sobre estratégias internas de segurança e ver o tema ser usado como ferramenta de pressão internacional.

Visão estratégica do Brasil

Apesar da resistência, o governo Lula afirma não descartar a cooperação internacional no combate ao crime organizado. A posição oficial, porém, é de que essa colaboração deve ocorrer dentro dos marcos legais brasileiros e do multilateralismo, sem classificações genéricas que possam gerar distorções jurídicas e políticas.

Para Brasília, a experiência venezuelana serve como alerta: sanções e decisões unilaterais tendem a produzir efeitos que vão além de seus alvos originais, atingindo economias inteiras e populações civis.

Em síntese

A eventual decisão de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas representa uma interseção delicada entre segurança pública, soberania nacional e geopolítica. Para o governo brasileiro, o debate vai muito além do simbolismo: envolve riscos econômicos, precedentes internacionais e a defesa da autonomia do país.

À luz da crise na Venezuela, o Brasil observa o cenário com cautela, reforçando a necessidade de combater o crime organizado de forma firme, mas sem abrir espaço para intervenções externas ou decisões unilaterais que possam comprometer a estabilidade institucional e econômica do país.

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