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Projeto científico busca aumentar tempo de vida dos cachorros; entenda

Assim como os humanos, os cães variam na expectativa de vida e no espectro de doenças que provavelmente enfrentarão.

Ricardo Lélis

12 de setembro de 2026 às 18:43   - Atualizado às 18:47

Cachorro Caramelo.

Cachorro Caramelo. Foto: Reprodução/Internet

Quem tem um cachorro sabe o quanto é duro ter que dizer adeus ao seu melhor amigo após dez a quinze anos - a expectativa de vida desses animais de estimação.

Por isso mesmo, cientistas dos EUA criaram o Projeto Envelhecimento Canino para entender como uma combinação complexa entre genes, estilo de vida e ambiente influencia o envelhecimento dos cães. Pelo menos 55 mil cães participam do estudo.

Em artigo publicado recentemente na Nature, cientistas do projeto, que é apoiado pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, dizem que o trabalho também tem por objetivo entender alguns dos mecanismos do envelhecimento humano.

A maior parte do que se sabe sobre a biologia do envelhecimento vem de estudos de laboratório com mamíferos, como camundongos e ratos, e invertebrados, como moscas-das-frutas e nematódeos.

Para entender melhor como os genes e o ambiente afetam o envelhecimento em animais fora de um laboratório - e mais próximos das nossas próprias experiências de vida -, e para gerar conhecimento que possa ser traduzido mais facilmente para o envelhecimento humano, o projeto resolveu recorrer ao cão de companhia.

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O cão de companhia é um animal ideal para o estudo do envelhecimento biológico, segundo os especialistas, porque é uma das espécies de animais mais variáveis em termos de tamanho, formato e comportamento.

Assim como os humanos, os cães variam na expectativa de vida e no espectro de doenças que provavelmente enfrentarão.

Os cães apresentam também quase todos os declínios funcionais e doenças do envelhecimento que as pessoas têm, e essas doenças são diagnosticadas e tratadas dentro de um sistema de saúde que se assemelha ao dos humanos.

Os cães também compartilham o ambiente humano e, como envelhecem mais rapidamente do que nós, oferecem oportunidades únicas para estudos longitudinais e de intervenção.

As populações de estudo integradas ao projeto consistem em cães de todas as raças (puras e mistas), idades, tamanhos e sexos.

O projeto inclui um ensaio clínico em cães utilizando um tratamento de um ano de duração que consiste na administração de baixas doses semanais de rapamicina, uma nova droga que demonstrou prolongar a vida útil e melhorar a saúde dos camundongos em até 25%.

A intenção é testar a hipótese de que este composto pode aumentar a expectativa de vida, melhorar as funções cardíacas e cognitivas e reduzir a incidência de doenças relacionadas à idade em cães de grande porte e de meia-idade. Isso representa o primeiro ensaio clínico de um medicamento com métricas de tempo de vida e saúde como desfechos em qualquer espécie fora de um laboratório.

Os cientistas também estão coletando históricos médicos, dados ambientais e sequenciamento de todo o genoma dos animais, além da coleta regular de amostras de sangue, urina, pelo e fezes. Com esse volume de informação, os especialistas esperam ter ferramentas para avaliar, por exemplo, quão bem um determinado cachorro está envelhecendo e preparar o terreno para estudar fatores que influenciam o envelhecimento normal.

Dados do sequenciamento completo do genoma dos animais, por sua vez, ajudarão a identificar variantes genéticas, fatores ambientais e estilo de vida. Os cientistas já sequenciaram os genomas de mais de dez mil cachorros.

A partir de todos esses dados, os cientistas esperam criar um modelo biológico do envelhecimento dos cães por meio da medição anual da fisiologia dos animais -- desde o organismo como um todo, via medições físicas, até o nível molecular, através da coleta e análise de sangue e outros fluidos.

Esses dados gerarão biomarcadores preditivos e prognósticos do envelhecimento e apontarão para fatores causais que explicam os mecanismos pelos quais fatores genéticos ou ambientais específicos influenciam o envelhecimento. Esses biomarcadores também serão úteis para estudos clínicos para o desenvolvimento de terapias antienvelhecimento.

Além de trazer contribuições importantes para a medicina veterinária, os objetivos ambiciosos definidos pela iniciativa de pesquisa do projeto têm o potencial de transformar o campo da pesquisa sobre o envelhecimento.

Estadão Conteúdo

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