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Papa Leão XIV encerra cortes salariais instituídos pelo papa Francisco para cardeais e altos funcionários do Vaticano

A medida do então papa argentino ocorreu em meio aos impactos econômicos provocados pela pandemia de covid-19 e à situação financeira da Santa Sé, que enfrentava um déficit crônico.

15 de setembro de 2026 às 07:44   - Atualizado às 07:49

Papa Leão XIV.

Papa Leão XIV. Foto: Divulgação/Vatican News

O papa Leão XIV decidiu encerrar os cortes nos salários de cardeais e altos funcionários do Vaticano que haviam sido determinados por seu antecessor, o papa Francisco, em 2021. A medida foi adotada nesta segunda-feira, 14 de setembro, por meio de um decreto pontifício publicado no dia em que Leão XIV completa 71 anos.

A revogação passa a valer a partir de 1º de setembro de 2026 e não terá efeito retroativo. Com isso, os valores reduzidos durante o período de austeridade deixam de ter o corte aplicado a partir da data estabelecida pelo novo pontífice.

Em março de 2021, Francisco havia determinado uma redução de 10% nos salários dos cardeais e de 8% nos vencimentos dos altos funcionários dos dicastérios, estruturas que funcionam como os "ministérios" da Igreja Católica.

A decisão do então papa argentino ocorreu em meio aos impactos econômicos provocados pela pandemia de covid-19 e à situação financeira da Santa Sé, que enfrentava um déficit crônico.

Decisão ocorre em cenário financeiro mais favorável

No decreto conhecido como motu proprio, Leão XIV afirmou que as restrições adotadas durante a pandemia foram necessárias diante das dificuldades daquele período, mas avaliou que o cenário atual permite a retirada da medida.

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As restrições foram consideradas pelo pontífice como necessárias para enfrentar o desafio excepcional provocado pela pandemia, mas, segundo ele, agora podem ser superadas.

De acordo com estimativas, um cardeal que integra a Cúria Romana, estrutura responsável pelo governo central da Igreja Católica, recebe atualmente entre 4.500 e 5.000 euros por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 28 mil a R$ 31 mil.

A decisão de Leão XIV ocorre em um momento considerado mais favorável para as finanças da Santa Sé. Em seu relatório anual mais recente, divulgado em maio, o banco do Vaticano informou ter registrado um lucro líquido de 51 milhões de euros, cerca de R$ 317 milhões. O resultado foi classificado pela instituição como um "ano recorde".

Biblioteca do Vaticano

Além da mudança relacionada aos salários, Leão XIV também tomou outra decisão nesta segunda-feira (14) envolvendo uma medida adotada durante o pontificado de Francisco.

Em outro documento, o atual papa anulou um projeto que previa transferir parte dos arquivos da Biblioteca do Vaticano para fora dos limites do microEstado. A proposta anterior estava relacionada à falta de espaço para armazenar o acervo.

Com a decisão, Leão XIV optou pela construção de um novo edifício dentro do Vaticano para atender à necessidade de espaço da biblioteca.

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