Mary Mohammadi está sem contato com a família desde fevereiro; organizações internacionais afirmam que a jornalista foi detida pelo serviço de inteligência iraniano.
Mary Mohammadi. Foto: Article 18
A jornalista cristã Mary Mohammadi está desaparecida há meses após ser presa no Irã, segundo informações divulgadas por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos e da liberdade religiosa.
De acordo com a Missão Portas Abertas, Mary perdeu contato com a família após viajar de Teerã para a cidade de Ahvaz. Os parentes afirmam que não conseguem se comunicar com a jornalista desde o dia 26 de fevereiro deste ano.
Informações obtidas pela Anistia Internacional apontam que Mary foi detida pelo Ministério da Inteligência iraniano em Ahvaz e transferida, em 2 de abril, para um local não divulgado pelas autoridades do país.
Até o momento, o governo iraniano não informou o paradeiro da jornalista nem autorizou que familiares mantenham contato com ela.
Mary Mohammadi é conhecida internacionalmente por denunciar violações à liberdade religiosa e defender os direitos dos cristãos no Irã. Convertida ao cristianismo ainda na adolescência, ela abandonou o islamismo e passou a atuar em defesa de minorias religiosas no país.
Aos 19 anos, a jornalista foi presa durante um culto realizado em uma igreja doméstica e permaneceu detida na prisão de Evin, em Teerã, entre novembro de 2017 e maio de 2018.
Após deixar a prisão, Mary continuou denunciando a repressão sofrida pelos cristãos iranianos, tornando-se alvo frequente de interrogatórios, detenções e outras formas de assédio por parte das autoridades.
Em 2023, ela recebeu o prêmio St. Stephen's Award for Persecuted Christians, na Alemanha, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido em favor dos cristãos perseguidos.
Entidades internacionais manifestaram preocupação com o desaparecimento da jornalista. Segundo a organização Voz dos Mártires Canadá, a falta de informações sobre o paradeiro de Mary aumenta os temores de possíveis abusos.
"Infelizmente, a situação de Mary não é incomum. As autoridades iranianas frequentemente se recusam a divulgar o paradeiro dos detentos, deixando as famílias em uma incerteza angustiante", afirmou a entidade.
A Missão Portas Abertas pediu orações pela proteção física, emocional e espiritual da jornalista e solicitou que as autoridades revelem seu paradeiro.
O Irã é governado por um regime islâmico e figura entre os países com maior nível de perseguição religiosa no mundo. Cristãos convertidos do islamismo enfrentam restrições severas, incluindo prisões, interrogatórios e condenações baseadas na legislação islâmica.
Segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Missão Portas Abertas, o Irã ocupa a décima posição entre os países que mais perseguem cristãos no planeta.
Apesar das restrições impostas pelo governo, organizações religiosas afirmam que comunidades cristãs continuam atuando de forma clandestina em diferentes regiões do país.
Com informações do Site Guiame
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