Lula ao lado do presidente da China, Xi Jinping. Foto: Ricardo Stuckert/PR
A cadeia da carne bovina brasileira enfrenta um novo desafio no mercado internacional. A China, principal destino das exportações do produto nacional, começou a aplicar uma tarifa adicional sobre os embarques que ultrapassarem a cota anual estabelecida para cada país exportador. A medida acendeu um alerta entre frigoríficos, exportadores e produtores rurais, que temem impactos significativos nas vendas ao exterior.
O Brasil já utilizou quase toda a cota permitida para este ano, o que aumenta a expectativa de que a cobrança da tarifa extra passe a atingir os próximos embarques destinados ao mercado chinês.
Pelas regras em vigor, as exportações realizadas dentro da cota anual continuam sujeitas à tributação normal. No entanto, após o limite ser alcançado, será aplicada uma tarifa adicional de 55%, elevando a carga tributária total para 67% sobre os volumes excedentes.
Na avaliação do setor, esse percentual reduz significativamente a competitividade da carne brasileira e pode inviabilizar novos negócios com compradores chineses até que um novo período de cotas seja iniciado.
Especialistas apontam que o teto destinado ao Brasil está próximo de ser totalmente utilizado, o que pode antecipar os efeitos da medida ainda nas próximas semanas.
A preocupação do setor está diretamente ligada ao peso do mercado chinês nas exportações brasileiras.
Mais da metade da carne bovina exportada pelo Brasil tem como destino a China, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial da cadeia pecuária nacional.
Nos últimos anos, o crescimento da demanda chinesa impulsionou investimentos na produção e na indústria frigorífica, tornando o mercado altamente dependente das compras realizadas pelo gigante asiático.
Com a nova tarifa, parte da produção que tradicionalmente seria enviada à China poderá precisar ser direcionada para outros mercados ou permanecer no consumo interno.
Mesmo antes do esgotamento completo da cota, empresas do setor começaram a adotar medidas para reduzir os impactos da nova política comercial.
Alguns frigoríficos anunciaram férias coletivas para funcionários e reorganizaram linhas de produção voltadas ao mercado externo. O objetivo é adequar o ritmo das operações diante da expectativa de redução nos embarques destinados à China.
A mudança também preocupa pecuaristas, que podem enfrentar diminuição nos preços pagos pelo gado caso a oferta de carne aumente no mercado doméstico.
Representantes do setor avaliam que a nova tarifa pode provocar queda nas exportações brasileiras de carne bovina ao longo do ano.
Além da redução do volume exportado, o segmento teme impactos financeiros bilionários decorrentes da perda de competitividade no principal mercado consumidor do produto.
O cenário aumenta a pressão para que novos mercados sejam ampliados e para que ocorram negociações comerciais capazes de minimizar os efeitos da medida adotada pela China.
A tarifa adicional faz parte de uma política adotada pelo governo chinês para proteger sua produção pecuária diante do aumento das importações de carne bovina.
Embora a medida tenha potencial para afetar diretamente um dos principais produtos do agronegócio brasileiro, ela recebeu repercussão mais limitada do que outras disputas comerciais envolvendo grandes economias.
Enquanto o setor acompanha a evolução da utilização da cota brasileira, exportadores aguardam possíveis negociações entre autoridades dos dois países que possam reduzir os impactos da nova tributação sobre a carne bovina nacional.
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