Pastor Ezra Jin Mingri, líder de uma igreja cristã e Trump Foto: Divulgação/Portal de Prefeitura
O pastor Ezra Jin Mingri, líder de uma igreja cristã não reconhecida pelo governo da China, foi libertado após passar cerca de nove meses preso. A soltura ocorreu semanas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que havia pedido pessoalmente ao presidente chinês, Xi Jinping, que revisasse o caso durante um encontro bilateral.
Após deixar a prisão, o religioso viajou para os Estados Unidos, onde reencontrou familiares que vivem no país. A libertação foi comemorada por parentes, organizações ligadas à defesa da liberdade religiosa e entidades internacionais de direitos humanos, que acompanharam o caso desde a prisão do pastor.
Ezra Jin Mingri foi detido em outubro de 2025 durante uma operação das autoridades chinesas contra a Igreja Sião, uma das maiores igrejas domésticas do país. Na ocasião, outros líderes da congregação também foram presos.
O episódio chamou a atenção de organizações internacionais por representar uma das maiores ações contra uma única comunidade cristã na China nos últimos anos.
Durante visita oficial à China, realizada em maio deste ano, Donald Trump revelou que discutiu diretamente com Xi Jinping a situação do pastor e pediu sua libertação. Segundo o presidente norte-americano, o líder chinês afirmou que analisaria o caso.
Pouco tempo depois desse encontro, Ezra Jin Mingri foi colocado em liberdade.
Em nota divulgada após a chegada do pastor aos Estados Unidos, a família afirmou que recebeu a notícia da libertação com surpresa e gratidão.
Os familiares agradeceram a Deus e também reconheceram o apoio recebido de autoridades norte-americanas durante os meses em que o religioso permaneceu preso.
Segundo o comunicado, a expectativa é que o caso represente um avanço para a liberdade religiosa na China e contribua para o fortalecimento do diálogo entre os dois países.
A Igreja Sião integra o grupo das chamadas igrejas domésticas ou igrejas subterrâneas, comunidades cristãs que funcionam independentemente das instituições religiosas autorizadas pelo Estado chinês.
Na China, grupos religiosos precisam seguir regras estabelecidas pelo governo e, em muitos casos, registrar suas atividades junto aos órgãos oficiais. Congregações que optam por atuar de forma independente frequentemente enfrentam fiscalização, fechamento de templos e processos judiciais.
Nos últimos anos, entidades de direitos humanos afirmam que o governo chinês intensificou medidas de controle sobre organizações religiosas, dentro da política conhecida como "sinização", que busca adequar as práticas religiosas às diretrizes do Estado.
Embora a libertação de Ezra Jin Mingri tenha sido recebida como uma vitória por defensores da liberdade religiosa, organizações internacionais ressaltam que outros integrantes da Igreja Sião continuam presos.
Entidades como a Human Rights Watch e organizações dedicadas à defesa da liberdade de culto afirmam que ainda existem líderes religiosos detidos e cobram novas medidas do governo chinês.
Além do caso do pastor, Donald Trump também declarou ter discutido com Xi Jinping a situação do empresário e ativista pró-democracia Jimmy Lai, preso em Hong Kong.
O caso voltou a colocar em evidência a situação da liberdade religiosa na China, tema frequentemente citado por governos estrangeiros e organizações internacionais.
Especialistas apontam que, apesar da libertação do pastor, permanecem as preocupações sobre as restrições impostas a comunidades religiosas independentes no país.
Enquanto familiares comemoram o reencontro após meses de separação, entidades de direitos humanos afirmam que o episódio reforça a necessidade de acompanhamento internacional sobre a situação de líderes religiosos e grupos cristãos que atuam fora das instituições reconhecidas pelo governo chinês.
Nota: A família do pastor atribui a libertação à intervenção diplomática de Donald Trump junto ao presidente Xi Jinping. Até o momento, as autoridades chinesas não divulgaram uma explicação pública confirmando o motivo da soltura, e não há confirmação independente de que o pedido tenha sido o fator determinante para a decisão.
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