Fachada da Previdência Social. Crédito: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cancelou, nesta terça-feira, 8 de agosto, os convênios que permitiam a oito instituições financeiras realizarem novas operações de crédito consignado com base na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. A decisão, inédita até então, faz parte de uma série de medidas voltadas à proteção dos segurados, especialmente em situações de vulnerabilidade.
As instituições afetadas pela decisão do INSS são:
Essa é a primeira vez que o INSS decide cancelar acordos desse tipo, o que mostra o endurecimento da fiscalização em relação ao mercado de crédito voltado para beneficiários da Previdência Social.
O cancelamento aconteceu após um processo administrativo interno que identificou que essas instituições não mantinham o sistema “não perturbe” ativo, um mecanismo considerado essencial pelo INSS para impedir ligações indesejadas com ofertas de crédito.
A ausência desse sistema contraria as diretrizes de respeito ao consumidor, sobretudo para um público composto em sua maioria por idosos, aposentados e pensionistas, muitos deles em situação de fragilidade financeira ou emocional. O “não perturbe” foi criado para reduzir o assédio comercial, especialmente por meio de chamadas telefônicas frequentes e insistentes.
A decisão de cancelar os convênios também acontece em um momento sensível. Em abril, a Polícia Federal revelou uma fraude bilionária relacionada a descontos irregulares em benefícios pagos pelo INSS.
Segundo a investigação, entidades cobraram mensalidades indevidas de aposentados e pensionistas, totalizando um possível desvio de R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024. Como resposta à operação, o INSS reforçou a fiscalização e agora atua para reparar os danos causados aos segurados. O cancelamento dos convênios integra esse esforço de saneamento do setor.
Os aposentados e pensionistas que foram vítimas das cobranças indevidas já começaram a receber valores de volta a partir de 24 de julho. De acordo com o INSS, os pagamentos acontecem diretamente nas contas em que os beneficiários recebem os proventos mensais, com correção pelo IPCA. O processo será totalmente administrativo, sem necessidade de ação judicial.
Quem contestou os descontos até 14 de novembro de 2025 poderá receber a restituição. Até agora, quase um milhão de segurados aderiram ao plano de devolução, o número representa quase metade do total de 2,05 milhões de pessoas aptas ao ressarcimento.
Ao optar por receber o valor pela via administrativa, o beneficiário renuncia ao direito de processar o INSS, mas pode continuar com ações contra as instituições financeiras envolvidas.
A Via Certa Financiadora, uma das empresas com convênio cancelado, emitiu nota informando que encerrou as atividades com crédito consignado próprio desde março de 2023.
Segundo a instituição, a decisão foi estratégica e voluntária, com base em reestruturações comerciais e mercadológicas. A empresa ainda afirmou que não renovou os requisitos legais necessários após a descontinuidade do serviço, o que teria levado ao cancelamento natural do convênio com o INSS. A Via Certa também reforçou seu compromisso com a transparência e a ética, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
A Via Certa Financiadora S/A informa que, por decisão mercadológica alinhada ao seu planejamento estratégico, não oferece crédito consignado INSS através de seu convênio próprio há mais de dois anos. A última operação deste tipo foi realizada em 14 de março de 2023.
Depois desta data, diante da descontinuidade da operação, optamos por não renovar os requisitos necessários para a venda do produto, o que, naturalmente, resultou no cancelamento dos Acordos Técnicos para Crédito Consignado (ACTs).
Informamos também que todas as informações sobre os nossos contratos estão disponíveis em balanços financeiros publicados periodicamente. Reforçamos o nosso compromisso com a ética e a transparência que marcam a nossa história de 23 anos e estamos à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais.
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A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00223/2026. A coleta ocorreu entre 13 e 15 de outubro. Foram ouvidas 1.500 pessoas.
Política do governo federal prevê melhorias em 828,9 quilômetros de rodovias no estado; implementação nacional deve ser concluída até 2030.
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