Fábio Mota criticou duramente a arbitragem após a goleada para o Palmeiras, prometeu representação à CBF e afirmou que clubes nordestinos enfrentam dificuldades dentro e fora de campo.
Fábio Mota, presidente do Vítoria. Foto: Victor Ferreira / Vitória
A derrota por 4 a 0 para o Palmeiras, na noite da última quarta-feira (29), no Barradão, deixou marcas muito além do placar para o Vitória. Revoltado com a atuação da arbitragem na partida válida pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, o presidente do clube, Fábio Mota, fez um forte desabafo logo após o apito final e afirmou que os clubes nordestinos enfrentam obstáculos que vão além das quatro linhas.
A frase mais contundente da entrevista foi vista como um desabafo pessoal de quem vive o futebol diariamente no Nordeste: "É difícil fazer futebol no Nordeste. Você tem investimento menor, viaja mais e passa por esse tipo de coisa."
A declaração aconteceu minutos depois de uma partida marcada por lances polêmicos, revisões do VAR, duas expulsões de jogadores do Vitória e muita reclamação da torcida rubro-negra contra a arbitragem.

Para o dirigente, o principal erro da arbitragem aconteceu ainda no primeiro tempo, quando o meia Maurício, do Palmeiras, atingiu o zagueiro Cacá com uma cotovelada no rosto.
O defensor do Vitória sofreu um corte profundo no queixo e precisou levar cinco pontos após a partida. Mesmo com o atendimento médico e a gravidade da lesão, a arbitragem optou por não expulsar o jogador palmeirense.
Segundo Fábio Mota, essa decisão mudou completamente o rumo do confronto.
"Ainda bem que o Brasil viu o jogo. O Cacá levou cinco pontos no queixo. Não foi por acaso. Não foi por ser intencional. O que os jogadores relataram foi que o árbitro disse que não foi intencional. Intencional ou não, foram cinco pontos no queixo. Isso desequilibrou a partida completamente. O Vitória estava fazendo um grande jogo, e houve o desequilíbrio por não ter expulsão pela agressão ao jogador Cacá."
O lance chegou a ser analisado pelo árbitro de vídeo, mas o VAR não recomendou revisão no monitor para possível cartão vermelho.
Durante o pronunciamento, o presidente também fez questão de afirmar que não pretende colocar o clube na posição de vítima, mas voltou a cobrar mais respeito com as equipes da região Nordeste.
Segundo ele, a realidade financeira e logística já impõe dificuldades naturais aos clubes da região, que acabam sendo potencializadas quando surgem erros de arbitragem em partidas decisivas.
"Passamos por isso no passado com o Flamengo, estamos acostumados. Não quero me vitimizar, mas é difícil fazer futebol no Nordeste. Você tem investimento menor, viaja mais e passa por esse tipo de coisa. É lamentável o que está acontecendo."
A declaração repercutiu rapidamente entre torcedores de diversos clubes nordestinos, que compartilharam o trecho nas redes sociais em apoio ao dirigente.
Além das críticas públicas, Fábio Mota confirmou que o Vitória tomará medidas formais contra a atuação da arbitragem.
O dirigente anunciou que o clube irá protocolar uma representação junto à Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), contestando principalmente o lance envolvendo Maurício e Cacá.
Como forma de protesto, o Vitória também decidiu cancelar todas as entrevistas dos jogadores após a partida e não participou da tradicional zona mista.
Pouco depois, o clube divulgou uma nota oficial classificando como "absoluta indignação e revolta" a atuação da equipe comandada pelo árbitro Alex Gomes Stefano e pelo VAR, liderado por Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira.
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