Suspensão das bets preocupa diretoria rubro-negra, que ainda possui compromissos milionários com contratações realizadas nos últimos anos.
Bap, presidente do Flamengo, em entrevista à FlamengoTV Foto: Reprodução / FlamengoTV
O Flamengo entrou em uma nova discussão financeira após a suspensão das atividades das casas de apostas no Brasil. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou que a mudança pode comprometer receitas futuras do clube e citou uma preocupação específica: como o Rubro-Negro irá cumprir as parcelas da contratação de Lucas Paquetá. O clube ainda possui centenas de milhões de reais em compromissos relacionados a transferências de jogadores.
Segundo dados do balanço financeiro do primeiro semestre de 2026, o Flamengo tinha R$ 614,5 milhões a pagar por transferências de atletas. Desse total, R$ 312 milhões correspondiam a obrigações de curto prazo, com vencimentos previstos ainda para 2026. Outros R$ 302,5 milhões estão relacionados a compromissos que serão quitados a partir de 2027.
A maior pendência está justamente na contratação de Paquetá. O meia retornou ao rubro-negro carioca em uma negociação que chegou a R$ 315,6 milhões e, após os pagamentos já realizados, o clube ainda tinha R$ 191 milhões a quitar. O valor não está concentrado apenas em 2026 e envolve parcelas previstas no fluxo financeiro da operação.
Paquetá não é o único compromisso de grande porte assumido pelo Flamengo. A contratação de Samuel Lino, por exemplo, também deixou uma conta significativa. Do valor total de R$ 203 milhões da operação, ainda havia R$ 121,5 milhões a pagar no fechamento do primeiro semestre.
Outro negócio que aparece entre os compromissos é o de Jorge Carrascal. O Flamengo ainda tinha R$ 36,7 milhões a pagar ao Dínamo Moscou pela negociação do meia.
Além desses nomes, o levantamento financeiro inclui obrigações relacionadas a outros jogadores contratados em períodos recentes, como Emerson Royal, além de operações envolvendo atletas que já deixaram o clube ou foram emprestados.
O cenário mostra que o valor de uma contratação não representa necessariamente o impacto imediato no caixa. Os clubes podem registrar contabilmente uma operação pelo valor total, mas negociar o pagamento em parcelas, fazendo com que os efeitos financeiros sejam distribuídos ao longo de diferentes temporadas.
A preocupação do presidente do Flamengo está relacionada à possibilidade de redução das receitas futuras. Em declaração à Flamengo TV, Bap afirmou que o clube calcula uma perda potencial de aproximadamente R$ 400 milhões anuais caso o cenário envolvendo o mercado de apostas resulte na interrupção de receitas previstas.
“Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Eu assumi um compromisso importante para o Flamengo. Tudo que o Flamengo faz é dentro da lei. Mas essa medida compromete as receitas no futuro. Afeta a folha do futebol, as contratações que nós fizemos”, declarou o dirigente.
O presidente também afirmou que o Flamengo pretende buscar novos patrocinadores caso haja perda de receitas e reconheceu que os valores obtidos podem ficar abaixo dos contratos atuais. O clube possui a Betano como patrocinadora máster, em um acordo de grande dimensão financeira.
Apesar do volume elevado de compromissos, o Flamengo também possui valores a receber de outras negociações. No fechamento do primeiro semestre, eram R$ 310,5 milhões em contas relacionadas a transferências de jogadores.
Desse montante, R$ 177,1 milhões estavam previstos para entrar no curto prazo, enquanto R$ 133,3 milhões correspondiam a recebimentos de longo prazo. Entre os principais negócios está a venda de Wesley para a Roma, que ainda tinha R$ 87,9 milhões a pagar ao clube carioca.
Mesmo considerando esses recebimentos, a diferença entre os valores a pagar e a receber era de R$ 304 milhões. No curto prazo, considerando apenas as obrigações previstas para 2026, a diferença chegava a R$ 134,8 milhões.
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