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'Vale Tudo', menos matar Odete Roitman: pesquisa do Datafolha aponta desaprovação do público

A pesquisa mostrou que, para a maioria dos telespectadores, a personagem não deve morrer, mas sim enfrentar punições que mexam com seu estilo de vida.

Isabella Lopes

20 de setembro de 2025 às 19:24   - Atualizado às 19:24

Débora Bloch que interpreta Odete Roitman.

Débora Bloch que interpreta Odete Roitman. Foto: Reprodução/TV Globo.

Quem diria que, décadas depois de marcar a televisão brasileira, Odete Roitman ainda movimentaria debates sobre justiça? A icônica vilã de "Vale Tudo", agora vivida por Débora Bloch no remake, continua despertando sentimentos intensos no público.

Uma pesquisa do Datafolha mostrou que, para a maioria dos telespectadores, a personagem não deve morrer, mas sim enfrentar punições que mexam com seu estilo de vida.

Preferência por punição sem morte

O levantamento indicou que 47% dos entrevistados preferem que Odete Roitman termine pobre, como forma de castigo por suas atitudes. Outros 35% acreditam que a prisão seria a punição ideal, enquanto apenas 4% desejam a morte da vilã.

Esse resultado contrasta com a exibição original de 1988, quando a personagem foi interpretada por Beatriz Segall. Na época, 38% dos entrevistados disseram que gostariam de ver a morte da empresária, considerada símbolo de arrogância e poder.

Perfil do público e aprovação do remake

Segundo o Datafolha, a audiência atual de "Vale Tudo" é composta majoritariamente por mulheres, pessoas negras e integrantes das classes D e E. A pesquisa, realizada nos dias 8 e 9 de setembro com 2.005 brasileiros de 16 anos ou mais, em 113 municípios, apontou ainda que 86% acreditam que Odete precisa ser punida. Apenas 11% defenderam que ela não deveria receber castigo, enquanto 3% não souberam responder.

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O remake também recebeu avaliação positiva: 65% consideram a nova versão ótima ou boa, 25% a classificam como regular, e apenas 8% a veem como ruim ou péssima.

Raquel Acioli como contraponto

Se Odete desperta a vontade de punição, a personagem Raquel Acioli, interpretada por Taís Araújo, gera sentimentos de esperança. Para 71% dos entrevistados, a protagonista deve enriquecer como recompensa pela honestidade e pelo esforço. Outros 26% preferem que ela continue pobre, enquanto 3% não opinaram.

Esse contraste reforça a essência da novela, que desde sua primeira versão provoca reflexões sobre ética, desigualdade social e caminhos de ascensão no Brasil.

Temas que mais chamam atenção

O público também foi questionado sobre os assuntos mais importantes da trama. Para 38% dos entrevistados, a representação da crise política e econômica no Brasil é o ponto central da história.

Outros 26% destacaram honestidade e dedicação ao trabalho, 24% citaram corrupção, suborno e chantagens, e apenas 7% afirmaram que os relacionamentos amorosos são os aspectos mais marcantes. Essa leitura reforça como o remake mantém a atualidade do clássico, dialogando com problemas que ainda fazem parte do cotidiano do país.

A personagem, que já entrou para o imaginário popular como uma das vilãs mais icônicas da teledramaturgia, segue provocando reações distintas em cada geração. Enquanto parte do público prefere vê-la perder poder e fortuna, outra parcela defende que o cárcere seria o destino mais adequado. A morte, que dominava o imaginário nos anos 1980, hoje aparece como a opção menos desejada.

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