"Bailarinas em Suspeição" reúne pesquisa histórica, produção audiovisual e acervo digital para revisitar trajetórias de bailarinas que atuaram em cassinos entre as décadas de 1930 e 1950.
16 de abril de 2026 às 16:12 - Atualizado às 16:23
Projeto cultural "Bailarinas em Suspeição". Foto:Morgana Narjara
A trajetória de mulheres que atuaram como bailarinas nos cassinos pernambucanos entre as décadas de 1930 e 1950 é o ponto de partida do projeto “Bailarinas em Suspeição: Mulher, Dança e Trabalho nos Cassinos Pernambucanos (1930–1950)”. Idealizada pela artista da dança, pesquisadora e videomaker Marcela Rabelo, a iniciativa será lançada na terça-feira, 29 de abril, data em que se celebra o Dia Internacional da Dança.
O projeto reúne diferentes formatos de produção para apresentar os resultados da pesquisa. Entre eles, estão a publicação de um artigo científico e o lançamento de uma videodança inédita, construída a partir do processo investigativo. Também integra a proposta a criação de um espaço digital que reúne os conteúdos desenvolvidos, incluindo materiais históricos e registros da pesquisa.
A investigação parte de um levantamento documental baseado em jornais, revistas e arquivos históricos, com destaque para prontuários do antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Ao todo, cerca de 90 mulheres foram identificadas, entre brasileiras e estrangeiras, revelando trajetórias marcadas por trabalho artístico, deslocamentos e também por vigilância e estigmatização.
Os registros mostram como essas artistas eram classificadas a partir de critérios como nacionalidade, tipo de dança, estado civil e circulação por diferentes cidades. Nos documentos da época, aparecem denominações variadas, como bailarina clássica, vedete, sambista, acrobata ou integrante de coros, muitas vezes acompanhadas por discursos moralizantes.
A pesquisa evidencia um cenário em que a atuação artística dessas mulheres frequentemente ultrapassava o palco e era atravessada por mecanismos de controle social. Em diversos casos, o corpo em cena era alvo de julgamentos, especialmente em apresentações associadas à sensualidade ou a padrões considerados fora da norma para a época.
As histórias levantadas mostram ainda situações de glamour e reconhecimento convivendo com práticas de vigilância. Mesmo bailarinas com vínculos institucionais ou reconhecimento artístico eram monitoradas, revelando contradições no modo como essas profissionais eram percebidas.
As reflexões da pesquisa também se desdobram na criação de uma videodança, que propõe trazer para o corpo contemporâneo questões relacionadas à memória, ao trabalho artístico e aos estigmas históricos associados às bailarinas.
A obra conta com a participação de outras artistas da dança pernambucanas e dialoga com diferentes técnicas identificadas nos registros históricos. A proposta é criar uma ponte entre o material pesquisado e a criação artística atual, aproximando linguagens acadêmicas e performáticas.
Mais do que reconstruir histórias do passado, o projeto propõe uma reflexão sobre questões que seguem presentes na atualidade, como a forma como mulheres artistas são vistas, avaliadas e representadas.
Ao articular pesquisa, arte e memória, “Bailarinas em Suspeição” coloca em evidência experiências que, por muito tempo, permaneceram à margem dos registros oficiais, ampliando o debate sobre o lugar das mulheres na dança e na cultura.
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