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Influenciadora Malévola relata abusos policiais após prisão no Egito: 'Fui muito humilhada'

Ela afirma que os episódios ocorreram por ser uma mulher trans e que também envolveram a amiga Bruna Mercatelli, outra influenciadora brasileira.

Romildo Lacerda

22 de outubro de 2026 às 16:01   - Atualizado às 16:01

Influenciadora Malevóla

Influenciadora Malevóla Foto: Reprodução /Redes Sociais

A influenciadora brasileira Mariana Alves, conhecida nas redes sociais como Malévola, publicou nesta quinta-feira (22) um vídeo em que aparece chorando e relata ter sofrido humilhações e abusos policiais durante o período em que ficou detida no Egito.

Ela afirma que os episódios ocorreram por ser uma mulher trans e que também envolveram a amiga Bruna Mercatelli, outra influenciadora brasileira.

Eu fui muito humilhada, muito humilhada, muito humilhada. [...] Eu não paro de chorar desde a hora que eu cheguei aqui no Marrocos”, declarou Malévola em uma gravação publicada no Instagram, onde reúne mais de 1,4 milhão de seguidores.

Ela também afirmou que pretende divulgar um vídeo para contar detalhes do que teria vivido.

Influenciadora denuncia abusos durante detenção

Em publicações nas redes sociais, Malévola afirmou que os episódios de violência teriam ocorrido na delegacia para onde ela e Bruna foram levadas após serem acusadas de “comportamento obsceno” nas ruas de Alexandria. As duas foram detidas na terça-feira (20).

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Em uma das mensagens, a influenciadora relatou que teria sido obrigada a ficar nua durante a abordagem policial. Segundo ela, a forma como foi tratada mudou depois que os agentes perceberam suas características físicas.

Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans”, escreveu. Malévola também disse que está enfrentando crises de pânico e que pretende procurar atendimento médico assim que retornar ao Brasil.

Em outra publicação, a brasileira afirmou que ela e a amiga teriam sido abusadas por diversos policiais e criticou as pessoas que fizeram comentários e piadas sobre o caso nas redes sociais. Ela também declarou que pretende buscar responsabilização criminal pelos episódios relatados.

Até a divulgação das informações, as denúncias de abuso policial e transfobia não haviam sido confirmadas de forma independente.

Brasileiras foram liberadas após pagamento de fiança

Malévola e Bruna foram liberadas na quarta-feira (21), após o pagamento de fiança, e poderão responder ao processo em liberdade. Segundo a defesa, o valor estaria entre 20 mil e 40 mil libras egípcias, equivalente a aproximadamente R$ 2 mil a R$ 4 mil. A quantia exata não foi confirmada.

A chegada das duas ao Brasil está prevista para a noite desta quinta-feira (22), às 22h30, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, segundo o advogado Jonatha Carvalho Matos.

O defensor informou que pretende buscar medidas para que as denúncias sejam investigadas por órgãos internacionais. Entre as iniciativas mencionadas estão o acionamento do Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, e de organismos de defesa dos direitos humanos.

O advogado também afirmou que o telefone de Malévola permaneceu apreendido pelas autoridades egípcias e não foi devolvido antes do retorno ao Brasil.

Polícia egípcia aponta acusações de comportamento obsceno

Segundo comunicado divulgado pelo Ministério do Interior do Egito, as duas brasileiras foram identificadas e detidas após a publicação de vídeos nas redes sociais. As autoridades afirmaram que o conteúdo apresentava gestos de cunho sexual e que as influenciadoras teriam assediado pessoas em vias públicas.

De acordo com a polícia egípcia, os vídeos teriam sido publicados com o objetivo de ampliar o número de visualizações na internet. A defesa brasileira informou que, durante a semana, ainda buscava esclarecer quais acusações específicas foram formalmente atribuídas às clientes.

Advogados egípcios e representantes da Embaixada do Brasil no Cairo acompanharam o caso para garantir o direito de defesa das brasileiras.

Leis egípcias preveem punições para conteúdo considerado imoral

O Egito possui dispositivos legais que criminalizam determinadas condutas consideradas ofensivas ao pudor público e a divulgação de materiais classificados como contrários à moral pública.

O artigo 278 do Código Penal egípcio prevê pena de até um ano de prisão ou multa para quem pratica publicamente um ato considerado escandaloso ou ofensivo ao pudor.

Já o artigo 178 trata da produção ou posse, com intenção de distribuição, exibição ou publicação, de imagens e materiais considerados contrários à moral pública. A legislação prevê pena de até dois anos de prisão e multa, ou uma dessas punições.

A aplicação desses dispositivos é parte do contexto jurídico do caso, mas as acusações específicas contra as brasileiras ainda precisam ser esclarecidas no decorrer do processo.

Caso repercutiu na imprensa internacional

A prisão das influenciadoras ganhou repercussão fora do Brasil após a divulgação do comunicado oficial das autoridades egípcias. Veículos de comunicação do país destacaram as acusações relacionadas aos vídeos publicados pelas brasileiras e também deram ênfase à identidade de gênero das duas.

Algumas publicações foram criticadas pelo tratamento dado às influenciadoras. Uma manchete, por exemplo, utilizou uma abordagem considerada transfóbica ao se referir a Malévola como homem.

Antes da confirmação oficial da detenção, a própria influenciadora havia publicado vídeos afirmando que ela e Bruna foram conduzidas por policiais a uma delegacia em Alexandria e tiveram os passaportes retidos para averiguação.

A defesa informou que continuará acompanhando o caso e pretende adotar as medidas cabíveis para que as denúncias apresentadas pelas brasileiras sejam apuradas.

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