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Ana Maria Gonçalves é eleita primeira mulher negra imortal da Academia Brasileira de Letras

A escritora recebeu 30 dos 31 votos possíveis entre os acadêmicos da ABL, conquistando o posto com ampla maioria.

Isabella Lopes

10 de julho de 2025 às 18:51   - Atualizado às 19:01

Escritora Ana Maria Gonçalves.

Escritora Ana Maria Gonçalves. Foto: Reprodução/Internet

A escritora Ana Maria Gonçalves conquistou, nesta quinta-feira, 10 de julho, um marco inédito na história da literatura brasileira: ela foi eleita para a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras (ABL), tornando-se a primeira mulher negra a ocupar uma vaga na instituição. A eleição representa um avanço importante na luta por representatividade e diversidade no cenário literário nacional.

Ana Maria recebeu 30 dos 31 votos possíveis entre os acadêmicos da ABL, conquistando o posto com ampla maioria. A vaga se abriu após o falecimento do gramático e filólogo Evanildo Bechara, ocorrido em 22 de maio. Além da autora, outros 11 candidatos disputavam o cargo, entre eles a ativista indígena Eliane Potiguara, que recebeu um voto.

O anúncio da eleição foi celebrado por diversas figuras públicas, entre elas a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo. Em publicação nas redes sociais, a ministra destacou o simbolismo da vitória de Ana Maria e a importância de sua presença na ABL.

“Que a chegada de Ana Maria inaugure um tempo de valorização de escritoras negras nesse espaço!”, afirmou.

Trajetória

Ana Maria Gonçalves é conhecida nacional e internacionalmente por seu trabalho literário 'Um Defeito de Cor' , publicado em 2006. A obra, que ultrapassa 900 páginas, é considerada uma das mais importantes da literatura brasileira contemporânea e trata de temas como escravidão, ancestralidade africana, racismo e liberdade, a partir da perspectiva de uma mulher negra.

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Antes de se dedicar integralmente à escrita, Ana Maria atuou como publicitária e jornalista. Seu mergulho na literatura foi impulsionado por uma busca pessoal por identidade e ancestralidade. Um Defeito de Cor se tornou leitura obrigatória em muitas universidades e conquistou o Prêmio Casa de las Américas, um dos mais prestigiados da América Latina.

A eleição de Ana Maria também reflete um movimento mais amplo de transformação dentro da Academia Brasileira de Letras. Nos últimos anos, a instituição, historicamente composta majoritariamente por homens brancos, vem abrindo espaço para vozes antes marginalizadas.

Além de Ana Maria Gonçalves, outros nomes de destaque vêm contribuindo para essa renovação no perfil da ABL. O cantor e compositor Gilberto Gil e o escritor Domício Proença Filho também foram eleitos imortais, representando a presença negra na entidade. Em 2023, Ailton Krenak, importante líder indígena e ativista socioambiental, se tornou o primeiro indígena a ser escolhido como membro da instituição.

A entrada de Ana Maria reforça a relevância de se ampliar o olhar da literatura brasileira, incluindo diferentes experiências e realidades. O reconhecimento da escritora simboliza um novo tempo para a ABL, mais alinhado com a diversidade cultural e étnica que compõe o Brasil.

Ao assumir a cadeira 33, Ana Maria passa a ocupar o espaço de figuras notáveis como o próprio Evanildo Bechara, seu antecessor, e contribui para uma ABL que, embora centenária, sinaliza estar atenta às urgências do presente.

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