Pernambuco, 13 de Fevereiro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Piso nacional dos professores: entenda nova fórmula do MEC para garantir reajuste real todo ano

A proposta busca reduzir a instabilidade provocada pelo modelo atual, que enfrenta questionamentos judiciais e dificuldades de planejamento orçamentário.

Redação

13 de janeiro de 2026 às 17:43   - Atualizado às 17:43

Piso dos professores.

Piso dos professores. Foto: Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) iniciou um processo de diálogo com professores, estados e municípios para discutir uma nova forma de calcular o piso salarial nacional dos professores.

A proposta busca garantir reajuste real todos os anos e reduzir a instabilidade provocada pelo modelo atual, que enfrenta questionamentos judiciais e dificuldades de planejamento orçamentário nas redes públicas de ensino.

Sobre a fórmula

A discussão envolve interesses distintos e resistências de diferentes lados. Gestores estaduais e municipais apontam dificuldades para cumprir reajustes elevados em determinados anos, enquanto representantes dos professores temem perder ganhos reais conquistados ao longo do tempo. Esse cenário tem adiado o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional, já que o governo federal afirma que só avançará quando houver um acordo amplo entre as partes.

Atualmente, o piso salarial dos professores segue uma fórmula prevista em lei e vinculada ao crescimento do valor mínimo anual investido por aluno nos anos iniciais do ensino fundamental urbano, indicador usado pelo Fundeb. Esse modelo provoca variações consideradas bruscas por gestores públicos, o que dificulta a previsão de gastos e o equilíbrio das contas estaduais e municipais.

O próprio ministro da Educação, Camilo Santana, reconhece que a regra atual gera instabilidade. Segundo ele, o modelo acaba prejudicando tanto os professores quanto as administrações públicas, já que cria anos de reajustes elevados seguidos por aumentos menores, sem previsibilidade. O ministro defende que a mudança só ocorrerá com consenso entre sindicatos da categoria, governos estaduais e prefeituras, que lidam diretamente com o impacto financeiro dos reajustes.

Veja Também

Projeção para 2026

A projeção para 2026 mostra um dos principais pontos de tensão do debate. Caso a fórmula atual seja mantida, o reajuste do piso pode ficar em torno de 2,9%. Esse percentual tende a ficar abaixo da inflação estimada, que gira em torno de 3,5%, dependendo do desempenho econômico no fim do ano. Camilo Santana já afirmou publicamente que considera essencial evitar perdas inflacionárias para os professores, o que reforça a necessidade de um novo modelo de cálculo.

Em 2025, o piso nacional do magistério teve reajuste de 6,27%, acima da inflação acumulada de 2024, que fechou em 4,77%. Com esse aumento, o salário mínimo da categoria chegou a R$ 4.867,77. Na ocasião, o governo destacou que houve ganho real para os docentes, mas também admitiu que o mecanismo atual nem sempre garante esse resultado.

Criada em 2008, a Lei do Piso do Magistério fixou um valor mínimo obrigatório para o pagamento de professores da educação básica em todo o país. Desde então, os rendimentos da categoria apresentaram crescimento. Dados do Inep indicam que o salário médio dos professores da rede pública subiu de R$ 4,8 mil em 2012 para R$ 5,3 mil em 2024. No mesmo período, profissionais com nível superior em outras áreas passaram de R$ 7,4 mil para R$ 6,2 mil. Mesmo com avanços, professores ainda recebem, em média, cerca de 86% do rendimento de trabalhadores com a mesma escolaridade.

O Plano Nacional de Educação, que vigorou entre 2014 e 2024, previa a equiparação salarial entre docentes e outros profissionais de nível superior até 2020. A meta não foi alcançada, o que mantém a discussão sobre valorização da carreira docente no centro do debate educacional. Para o MEC, um piso mais previsível pode ajudar a tornar a profissão mais atrativa e reduzir desigualdades entre redes de ensino.

Propostas

Entre as propostas em discussão, uma delas prevê que o reajuste anual considere a inflação somada à média de crescimento do Fundeb nos últimos cinco anos. Outra alternativa sugere a aplicação do INPC acrescido de 30% do próprio índice. As duas opções garantem aumento real, mas geram preocupação entre estados, que concentram as maiores redes de ensino e enfrentam impacto fiscal mais elevado.

Prefeitos argumentam que, em períodos de queda de arrecadação, até mesmo a reposição da inflação se torna difícil. Por isso, representantes dos municípios defendem contrapartidas do MEC, como apoio financeiro adicional fora do Fundeb e mecanismos de proteção em momentos de crise econômica. Do lado dos professores, parte da categoria resiste a mudanças por avaliar que a fórmula atual já garantiu reajustes mais expressivos ao longo dos anos.

Um estudo do Inep reforça a complexidade do tema ao apontar que menos da metade das redes estaduais e municipais conseguem pagar o piso nacional em mais de 90% dos contratos. O dado evidencia dificuldades estruturais para o cumprimento da lei e amplia o debate sobre a sustentabilidade do modelo atual de reajuste salarial do magistério.

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

10:33, 13 Fev

Imagem Clima

27

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Momento de Carlinhos Brown abrindo caminhos em Salvador.
Ritual

Carlinhos Brown saúda Exu e "abre caminhos" antes de desfiles carnavalescos de Salvador; veja vídeo

Exu um dos fundamentais orixás no Candomblé e na cultura Iorubá, e o momento foi referenciado à abertura de caminhos nas religiões de matriz africana.

Sarah Araújo, ao lado do marido, secretário de prefeitura junto do filho e suposto momento da traição.
Flagra

Viraliza vídeo de suposta traição da esposa de secretário que atirou nos filhos e depois se matou

Horas antes de atirar nos filhos de 12 e 8 anos e tirar a própria vida, Thales Machado publicou uma carta mencionando uma suposta traição cometida pela esposa.

Criança com cartão do Bolsa Família.
Auxílio

Bolsa Família paga novo grupo de beneficiários nesta sexta (13/02); veja NIS de hoje

O valor mínimo do Bolsa Família corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 690,01.

mais notícias

+

Newsletter