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Mortes por câncer devem aumentar em 75% no mundo até 2050, segundo estudo

O levantamento publicado na revista The Lancet na quarta-feira, 24 de setembro, avaliou a evolução de 47 tipos de câncer entre 1990 e 2023. Nesse período, foram registradas 10,4 milhões de mortes pela doença.

Isabella Lopes

25 de setembro de 2025 às 18:42   - Atualizado às 18:42

Pessoa com câncer.

Pessoa com câncer. Foto: Freepik.

Um levantamento internacional publicado na revista The Lancet na quarta-feira, 24 de setembro, prevê um cenário preocupante para as próximas décadas. Segundo a análise, realizada por quase 3 mil cientistas em 204 países, as mortes por câncer devem crescer 75% até 2050, ultrapassando a marca de 18 milhões de óbitos por ano em todo o mundo.

O estudo avaliou a evolução de 47 tipos de câncer entre 1990 e 2023. Nesse período, foram registradas 10,4 milhões de mortes pela doença. A projeção para o futuro segue um padrão semelhante de aumento, impulsionado por fatores como o envelhecimento da população, mudanças demográficas e desigualdades no acesso à saúde.

Principais fatores associados ao crescimento

Os pesquisadores apontaram que 21% das mortes por câncer estão ligadas ao tabaco. Outro dado relevante é a relação do sexo desprotegido com 12,5% dos óbitos, sobretudo em casos de tumores associados a infecções sexualmente transmissíveis.

A obesidade, o sedentarismo e hábitos alimentares pouco saudáveis também aparecem entre os fatores que influenciam o aumento da incidência da doença.

O médico Theo Vos, do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, um dos líderes do estudo, afirmou em comunicado que existe grande potencial para mudar esse cenário.

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“Com quatro em cada 10 mortes associadas a fatores de risco conhecidos, há enormes oportunidades para prevenir casos, salvar vidas e melhorar o diagnóstico precoce”, ressaltou.

Impacto maior em países de baixa e média renda

De acordo com o levantamento, países de baixa e média renda, como o Brasil, devem sentir os efeitos mais intensos do crescimento de casos. Nessas regiões, o impacto da transição epidemiológica e a dificuldade de acesso a tratamentos modernos tendem a acelerar o aumento da incidência.

Além disso, sistemas de saúde menos estruturados podem enfrentar pressão insustentável diante da necessidade de ampliar programas de rastreamento, prevenção e tratamento.

Situação do câncer no Brasil

No Brasil, a taxa de incidência de câncer padronizada por idade passou de 153,1 casos por 100 mil habitantes em 1990 para 162,1 em 2023, representando um crescimento de 5,9%. Já a taxa de mortalidade caiu de 120,2 para 101,2, uma redução de 15,8%.

Apesar da queda proporcional, o envelhecimento da população deve fazer com que o número absoluto de casos continue em crescimento. Os tipos de câncer mais letais no país, segundo a pesquisa, permanecem sendo:

  • Traqueia, brônquios e pulmão: 13,9 mortes por 100 mil habitantes;
  • Cólon e reto (intestino): 11,5;
  • Estômago: 8,7;
  • Mama: 8,6;
  • Próstata: 8,0.

Avanços e desigualdades globais

O estudo mostra que avanços médicos reduziram as taxas de mortalidade ajustadas por idade em várias regiões. Porém, o crescimento populacional e o envelhecimento anulam parte desse progresso. Enquanto países desenvolvidos conseguem ampliar o controle de alguns tumores, nações mais vulneráveis ainda enfrentam limitações severas em diagnóstico e tratamento.

A pesquisa reforça a importância de políticas globais integradas para reduzir os riscos. Entre as ações sugeridas estão: restrição ao consumo de tabaco, incentivo à alimentação saudável, estímulo à atividade física e fortalecimento dos sistemas de saúde.

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