Jardim Botânico de Curitiba. Foto: Divulgação
Se você pudesse escolher qualquer capital brasileira para morar hoje, qual seria o seu principal critério? Para muitos, a resposta imediata envolve belas praias, clima tropical ou o dinamismo econômico de uma grande metrópole. No entanto, os dados oficiais do Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026), divulgados nesta quarta-feira (20), trazem revelações curiosas que desafiam o senso comum e convidam a olhar para as cidades sob uma nova ótica.
O estudo avaliou o desempenho de todas as 27 capitais brasileiras a partir de um princípio inovador: o progresso de uma sociedade não deve ser medido pelo tamanho do seu Produto Interno Bruto (PIB) ou pela quantidade de riqueza movimentada, mas sim pela capacidade de garantir dignidade e qualidade de vida real para os seus habitantes.
Para estruturar o ranking, o IPS Brasil — desenvolvido por meio de uma parceria entre o Imazon, a Fundação Avina, a Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative, analisou os 5.570 municípios do país através de 57 indicadores sociais e ambientais. Essas métricas são divididas em três grandes dimensões essenciais: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.
O resultado geral aponta que o Brasil atingiu uma pontuação média de 63,40 em uma escala que vai de 0 a 100. O número indica uma evolução sutil e gradual em relação ao ano anterior, mas esconde abismos profundos e contrastes geográficos impressionantes entre as cidades do topo e as da lanterna.
No topo do levantamento, a região Sul consolidou o seu protagonismo. A cidade de Curitiba (PR) conquistou o primeiro lugar isolado, destacando-se historicamente por sua organização urbana, eficiência no transporte público e forte apelo à sustentabilidade ambiental.
Logo atrás da capital paranaense, figuram no grupo de elite cidades que souberam alinhar o desenvolvimento de infraestrutura à oferta de serviços públicos. Brasília (DF) garantiu a segunda posição, impulsionada por bons índices de acesso à informação e saneamento. A maior metrópole do país, São Paulo (SP), garantiu o terceiro lugar, mostrando que, apesar dos conhecidos desafios de mobilidade de uma megalópole, a facilidade de acesso à saúde especializada e à educação superior garante uma posição de vanguarda no bem-estar. Fechando o "Top 5" das melhores capitais para viver, aparecem Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG).
Na outra ponta do ranking do IPS Brasil 2026, os menores desempenhos concentram-se majoritariamente nas regiões Norte e Nordeste do país. A cidade de Porto Velho (RO) registrou a menor pontuação entre as capitais, ocupando a 27ª posição devido a gargalos históricos em setores fundamentais, como coleta de esgoto e segurança pessoal. Logo acima, aparecem Macapá (AP), Maceió (AL) e Salvador (BA) com os resultados mais baixos.
O caso das capitais litorâneas do Nordeste acende um alerta curioso para analistas sociais. Cidades globalmente famosas por suas belezas naturais e forte apelo turístico enfrentam o desafio de combater a desigualdade interna. O índice revela que cartões-postais exuberantes muitas vezes convivem lado a lado com periferias que ainda lutam por moradia digna e inclusão social.
A diferença entre Curitiba, a primeira colocada, e Porto Velho, a última, ultrapassa os 12 pontos. Essa distância estatística reflete uma realidade palpável: a experiência prática de cidadania e o acesso a direitos básicos mudam drasticamente de acordo com as fronteiras municipais. O grande mérito do levantamento de 2026 é justamente tirar o foco do crescimento econômico abstrato e apontar onde as políticas públicas estão sendo eficientes na transformação do cotidiano das pessoas.
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