O escândalo voltou aos holofotes após o governo dos Estados Unidos divulgar uma nova leva de documentos, com mais de três milhões de páginas, sobre o caso.
Caso Jeffrey Epstein: entenda o que é e tudo que se sabe até agora sobre o escândalo sexual Foto: Reprodução
O caso Jeffrey Epstein voltou ao centro do debate internacional após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar mais de três milhões de páginas de documentos relacionados à investigação contra o bilionário acusado de comandar uma ampla rede de tráfico sexual de menores.
O material reúne registros judiciais, e-mails, depoimentos, imagens e vídeos que lançam nova luz sobre o esquema e sobre as pessoas que orbitavam o empresário.
Jeffrey Epstein foi acusado de abusar sexualmente de dezenas de meninas menores de idade no início dos anos 2000. Preso em julho de 2019, ele morreu um mês depois dentro da prisão.
As autoridades americanas concluíram que o empresário tirou a própria vida, encerrando a ação penal contra ele, mas não as investigações sobre outros possíveis envolvidos.
Segundo a acusação, entre 2002 e 2005, Epstein pagava centenas de dólares em dinheiro para que adolescentes fossem até suas propriedades, onde eram submetidas a atos sexuais. Algumas dessas jovens também eram coagidas a recrutar outras meninas, ampliando a rede de exploração.
O caso Jeffrey Epstein envolve denúncias de abusos ocorridos em diferentes locais, incluindo uma ilha particular no Caribe e mansões em Nova York, Flórida e Novo México. De acordo com o governo dos Estados Unidos, mais de 250 meninas menores de idade teriam sido exploradas sexualmente pelo bilionário ao longo dos anos.
As primeiras denúncias surgiram em 2005, em Palm Beach, na Flórida. À época, Epstein alegou que os encontros eram consensuais e afirmou acreditar que as jovens eram maiores de idade. Em 2008, ele firmou um acordo judicial, declarou-se culpado por exploração de menores e cumpriu apenas 13 meses de prisão, em regime controverso.
Esse acordo foi considerado ilegal por um juiz distrital em 2019, o que levou à nova prisão do empresário. Promotores federais argumentaram que a fortuna, os aviões privados e as conexões internacionais de Epstein representavam risco concreto de fuga.
Os novos documentos reforçam a dimensão do caso Jeffrey Epstein ao citar mais de 150 nomes de figuras públicas, empresários e políticos. Entre eles estão o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e o príncipe britânico Andrew. Ambos negam envolvimento direto nos crimes.
O atual presidente americano, Donald Trump, também aparece mencionado em diferentes registros. Há referência a uma denúncia antiga, posteriormente retirada, que ele nega veementemente. Apesar disso, documentos e fotos indicam que Trump e Epstein mantiveram proximidade social nas décadas de 1990 e 2000.
O Brasil surge em trechos relevantes dos documentos. E-mails e depoimentos apontam que Epstein teria contado com um “agente” no país para recrutar garotas menores de idade. Investigações jornalísticas indicam que dezenas de brasileiras teriam passado por propriedades do bilionário nos Estados Unidos.
Os arquivos também mencionam planos de Epstein para comprar uma agência de modelos no Brasil e criar um concurso de beleza, além de negociações envolvendo uma revista de moda. Citações aos ex-presidentes Jair Bolsonaro e Lula aparecem em e-mails, mas, segundo os documentos, não têm relação direta com o esquema sexual.
A divulgação dos arquivos atende a uma lei sancionada em novembro pelo governo dos Estados Unidos, que determina a abertura completa do material da investigação. O objetivo é garantir transparência e responder à pressão pública em torno do caso Jeffrey Epstein, que segue provocando repercussão política, jurídica e social em vários países.
Mesmo após a morte do bilionário, procuradores afirmam que novas acusações contra terceiros ainda podem surgir com base nas informações agora tornadas públicas.
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