Brasil lidera ranking mundial de ansiedade. Foto: Reprodução/Freepik
Conhecido mundialmente por sua alegria, diversidade cultural e forte senso de coletividade, o Brasil também carrega um título preocupante: o de país mais ansioso do mundo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que 9,3% da população brasileira sofre de transtornos de ansiedade, o que representa cerca de 19 milhões de pessoas.
O índice coloca o país no topo de um ranking global negativo, superando nações como Paraguai, Noruega, Nova Zelândia e Austrália.
O número chama atenção não apenas pela liderança isolada, mas porque é quase três vezes maior que a média mundial. Especialistas alertam que o cenário evidencia um problema estrutural de saúde pública, que exige respostas urgentes do poder público, da sociedade e do sistema de saúde.
Além da ansiedade, o Brasil também lidera a prevalência de depressão na América Latina. Segundo a OMS, 5,8% dos brasileiros convivem com a doença.
Na prática, os dois transtornos frequentemente aparecem de forma associada, agravando sintomas e dificultando diagnósticos e tratamentos.
Psiquiatras e psicólogos apontam que a combinação de ansiedade e depressão impacta diretamente a produtividade, os relacionamentos e a qualidade de vida, além de sobrecarregar o sistema público de saúde. O aumento de afastamentos do trabalho, licenças médicas e uso de medicamentos psicotrópicos são reflexos diretos desse cenário.
Pesquisas conduzidas por instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que os gatilhos da ansiedade no Brasil são múltiplos e interligados. A instabilidade econômica crônica, o medo da violência urbana e a insegurança no mercado de trabalho aparecem entre os principais fatores de risco.
Outro elemento central é a hiperconexão digital. O uso excessivo das redes sociais expõe os indivíduos a comparações constantes com padrões irreais de sucesso e felicidade, além de um fluxo contínuo de notícias negativas. Esse ambiente contribui para sentimentos de inadequação, medo e esgotamento emocional, especialmente entre jovens e adultos em idade produtiva.
O Ministério da Saúde alerta para a importância de diferenciar a ansiedade considerada normal — como aquela sentida antes de uma prova ou entrevista — do transtorno de ansiedade. Este último é caracterizado por sintomas persistentes e incapacitantes, como taquicardia, insônia, tensão muscular e preocupação constante que interfere no cotidiano.
Nesses casos, o transtorno exige acompanhamento médico e psicológico. Ignorar os sinais ou tratar o problema como algo passageiro pode agravar o quadro e levar a consequências mais severas.
O rótulo de “Terra da Ansiedade” funciona como um alerta para o Brasil. Especialistas defendem a ampliação do acesso a tratamentos, a criação de políticas públicas de prevenção e a desestigmatização da saúde mental. Buscar ajuda profissional não deve ser visto como fraqueza, mas como um passo essencial para recuperar o equilíbrio emocional.
Diante de números tão expressivos, o desafio agora é transformar dados alarmantes em ações concretas, capazes de melhorar a qualidade de vida de milhões de brasileiros.
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