Projeto combina pesquisa, cultivo marinho e participação de visitantes em áreas da região.
20 de outubro de 2026 às 11:03 - Atualizado às 11:24
A atuação reúne pesquisa científica, educação ambiental e participação de moradores e visitantes. Foto: Felipe Cadena/ Divulgação
Uma tecnologia desenvolvida em Pernambuco está sendo utilizada para apoiar a recuperação de corais. A Biofábrica de Corais combina estruturas produzidas por impressão 3D, cultivo em viveiros marinhos e monitoramento dos recifes em um trabalho realizado em Porto de Galinhas, em Ipojuca, Tamandaré e Maragogi, em Alagoas.
Os dispositivos funcionam como berços para os fragmentos cultivados pela equipe. Produzidas com material biodegradável, essas estruturas oferecem suporte durante o processo de recuperação, antes do transplante para áreas degradadas.
A atuação reúne pesquisa científica, educação ambiental e participação de moradores e visitantes. A proposta é conectar a restauração dos recifes às atividades econômicas que dependem da conservação do ambiente marinho, entre elas o turismo.
Entre os organismos trabalhados pela iniciativa está o coral-de-fogo, conhecido cientificamente como Millepora alcicornis. Ele oferece abrigo e alimento para outros animais, incluindo peixes e crustáceos, e foi afetado por episódios de branqueamento.
Na metodologia utilizada pela Biofábrica, fragmentos são mantidos em berços instalados nas mesas de cultivo. A equipe acompanha o desenvolvimento dos organismos para realizar posteriormente o transplante para o ambiente a ser restaurado.
O trabalho ocorre no próprio habitat dos corais. A empresa também oferece uma modalidade de adoção, na qual o participante contribui financeiramente e recebe informações sobre o acompanhamento, sem retirar o animal do mar.
Em Porto de Galinhas, visitantes podem conhecer o trabalho dos biólogos e participar de experiências relacionadas ao cultivo. As atividades incluem explicações sobre os recifes e contato com as etapas da restauração, sob orientação da equipe.
A iniciativa integra o chamado turismo regenerativo, que busca associar a visitação a ações de recuperação ambiental. Uma das experiências divulgadas pelo Sebrae dura aproximadamente três horas e permite acompanhar o trabalho realizado em uma plataforma flutuante.
Para o cofundador Rudã Fernandes, a aproximação com o setor turístico ajuda a ampliar as parcerias e a desenvolver o mercado da restauração de corais.
Além do cultivo, a Biofábrica mantém o EducaBio, dedicado à educação ambiental. Em balanço divulgado em setembro, a empresa informou ter restaurado mais de 20 mil corais e alcançado mais de 10 mil crianças com o projeto educativo. Os números são apresentados pela própria iniciativa.
Naquele mês, a Biofábrica também recebeu reconhecimento da Unesco como uma das iniciativas da Década Internacional das Ciências para o Desenvolvimento Sustentável, que abrange o período de 2024 a 2033.
Informações sobre as experiências, a adoção e as frentes de pesquisa estão disponíveis no site da Biofábrica de Corais.
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