Pesquisadores avaliam dispositivo que emite campo elétrico; estudo também prevê aplicação na pesca e depende da comprovação de eficácia local.
29 de outubro de 2026 às 11:05 - Atualizado às 11:15
O dispositivo está sendo avaliado para uso por guarda-vidas e em embarcações de pesca. Foto: Projeto Ecotuba/Divulgação
Pesquisadores do Projeto Ecotuba, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), começaram a testar em Fernando de Noronha um equipamento desenvolvido para afastar tubarões. Chamado Freedom, o dispositivo está sendo avaliado para uso por guarda-vidas e em embarcações de pesca.
A proposta é verificar seu desempenho nas condições brasileiras, considerando diferenças de temperatura, salinidade e espécies. O equipamento já foi utilizado na Austrália e nos Estados Unidos, mas a eficácia na ilha ainda está em avaliação.
Se os resultados forem positivos, a equipe pretende recomendar a aquisição dos dispositivos pelo governo de Pernambuco para utilização em Noronha e no litoral continental.
Uma das aplicações pretendidas é ampliar a segurança dos profissionais que entram no mar para realizar resgates.
Na pesca, os pesquisadores planejam adaptar o equipamento para reduzir a aproximação de tubarões dos peixes capturados. A iniciativa busca diminuir as perdas relatadas pelos pescadores antes da retirada dos animais da água.
Os repelentes elétricos exploram uma característica sensorial dos tubarões: a capacidade de perceber campos elétricos por meio de estruturas chamadas ampolas de Lorenzini.
Essa sensibilidade é investigada em pesquisas que procuram desenvolver formas de reduzir encontros perigosos sem recorrer à morte dos animais. O campo produzido pelo aparelho pode provocar mudanças de comportamento e afastamento, mas a resposta depende do dispositivo e das condições de uso.
Um estudo publicado em 2024 na revista científica Scientific Reports avaliou dois modelos de repelentes elétricos, o Freedom+ Surf e o Freedom7. Os resultados mostraram redução nas interações com iscas em parte dos testes, com diferenças entre espécies e configurações dos equipamentos.
Os autores ressaltaram que nenhum dos produtos eliminou completamente o risco. Mesmo com os dispositivos ligados, houve animais que conseguiram alcançar as iscas.
Pesquisas anteriores também identificaram respostas diferentes conforme a posição da fonte elétrica e a situação apresentada aos tubarões. Isso significa que os resultados obtidos em um experimento não representam uma garantia universal de proteção.
Esse contexto reforça a importância de avaliar o equipamento antes de ampliar sua utilização. No caso de Fernando de Noronha, os testes deverão orientar a análise sobre seu possível emprego nas atividades de salvamento e pesca.
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