O caso ocorreu no projeto social Arte na Medicina, que oferece aulas de artesanato para pacientes e acompanhantes em um anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).
13 de julho de 2026 às 12:40 - Atualizado às 12:42
A artesã Denny Cardoso. Fotos: Reprodução/Instagram/@dennycardoso_superacao
A artesã Denny Cardoso, que denunciou ter sido envenenada por uma aluna durante aulas de um projeto social no Recife, afirmou que começou a desconfiar de que algo estava errado após encontrar pequenas "bolinhas" na água que costumava beber.
Segundo a vítima, a suspeita aumentou quando percebeu que a aluna havia mexido em sua garrafa em mais de uma ocasião. Posteriormente, exames e perícias apontaram a presença de mercúrio na água e no organismo da professora.
O caso ocorreu no projeto social Arte na Medicina, que oferece aulas de artesanato para pacientes e acompanhantes em um anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), localizado no bairro de Santo Amaro, na área central do Recife. Denny atuou no projeto por mais de dez anos.
De acordo com a artesã, a mulher investigada, identificada como Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, passou a frequentar as aulas há cerca de três anos, enquanto acompanhava o filho em tratamento no hospital. Até o momento, a defesa da investigada não foi localizada.
Segundo Denny, a primeira suspeita surgiu quando viu a aluna mexendo em sua garrafa de água. "Um dia, eu indo lavar as mãos, avistei ela mexendo na minha garrafa. Achei estranho. Ela disfarçou, como se estivesse tirando a garrafa de um lugar para outro", relatou a artesã em uma entrevista concedida ao G1.
A situação se tornou ainda mais preocupante no dia 22 de maio do ano passado, quando a artesã percebeu pequenas partículas na água. "No dia 22 de maio do ano passado, fui tomar água e senti a bolinha na minha garganta. Botei o dedo na garganta e botei [a bolinha] na mão. Aí eu botei no copo, que eu também levei para a delegacia", afirmou.
Após o episódio, Denny decidiu registrar o que acontecia. Ela comprou uma garrafa idêntica à que utilizava diariamente e passou a deixar o celular gravando sempre que precisava sair da sala.
Segundo a professora, na primeira gravação em que flagrou a suspeita colocando uma substância na garrafa, ela procurou a Delegacia da Boa Vista e realizou exames no Instituto de Medicina Legal (IML). Em outra oportunidade, repetiu o procedimento e voltou a registrar a ação.
"Fui à loja e comprei uma garrafa idêntica, do mesmo modelo. Cheguei lá bebendo água e botei a garrafa em cima da mesa. No momento em que saí, botei a câmera para filmar de novo. Quando vi que ela tinha botado de novo, não toquei mais na garrafa e liguei para o 190", contou.
Conforme a vítima, policiais militares foram acionados e levaram as duas mulheres para a Central de Plantões da Capital, em Campo Grande, na Zona Norte do Recife. De acordo com o boletim de ocorrência, a suspeita negou ter contaminado a bebida. No entanto, os policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa da investigada.
Denny Cardoso informou que exames toxicológicos identificaram uma concentração de 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue em seu organismo. Além disso, um laudo pericial realizado na garrafa utilizada por ela confirmou a presença do metal na água.
Segundo o documento, a quantidade encontrada é compatível com ingestão contínua da substância durante um período estimado entre oito meses e um ano.
"Ela botava um pingo, era uma gota. E eu bebia muita água assim com tudo. Infelizmente, não tem gosto", afirmou a artesã.
A professora relata que ainda enfrenta consequências para a saúde, incluindo dores abdominais, redução dos movimentos, compressão na medula e neuropatia. Ela segue em tratamento médico e realizando sessões de fisioterapia.
Segundo a vítima, a Polícia Civil solicitou um parecer de um neurocirurgião para avaliar se as complicações neurológicas apresentadas têm relação com a exposição ao mercúrio. Entretanto, ela afirma que ainda não conseguiu atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No dia 9 de junho, Denny ingressou com uma ação na Vara da Fazenda Pública de Jaboatão dos Guararapes para solicitar que o Estado garanta a consulta com urgência. Até o momento, não há decisão publicada sobre o pedido. O processo está sob responsabilidade do juiz Rômulo Macedo Bastos.
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou apenas que o caso continua sendo investigado pela Delegacia da Boa Vista. A corporação não respondeu aos questionamentos sobre o prazo para conclusão do inquérito nem sobre o possível enquadramento criminal da investigada, afirmando apenas que mais detalhes não podem ser divulgados para preservar o andamento das investigações.
A Secretaria Estadual de Saúde e a Procuradoria-Geral do Estado também foram procuradas para comentar a demora no atendimento com um neurocirurgião. Até a publicação desta matéria, não havia resposta.
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