A operação foi conduzida pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da PF.
05 de agosto de 2026 às 10:35 - Atualizado às 11:25
Quatorze trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão no Recife Foto: Divulgação/Auditoria-Fiscal do Trabalho
Quatorze trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão durante uma fiscalização realizada na terça-feira, 4 de agosto, em um alojamento no bairro da Imbiribeira, na Zona Sul do Recife.
A operação foi conduzida pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).
Os trabalhadores atuavam na construção civil e permaneciam no imóvel durante a semana. A maioria é de Bom Jardim, no Agreste de Pernambuco, e retornava para casa nos fins de semana.

Durante a inspeção, os fiscais encontraram dormitórios superlotados, colchões deteriorados, móveis improvisados, infiltrações, pouca ventilação e instalações elétricas com fiação exposta.
Em um dos quartos, seis pessoas dividiam o espaço. Um beliche improvisado sobre tijolos apresentava sinais de deterioração provocada por cupins.
Segundo os trabalhadores, a empresa não fornecia itens básicos para o alojamento. Eles precisavam levar de casa roupas de cama, travesseiros, cobertores, toalhas e ventiladores.
O calor provocado pela cobertura metálica e a presença frequente de muriçocas também dificultavam o descanso. Os fiscais encontraram ainda lixo, entulho, vegetação alta e pontos de alagamento na área externa.
Os trabalhadores relataram a presença constante de ratos, baratas, cupins e outros insetos. Um cachorro também circulava pelo imóvel.
A estrutura dos banheiros apresentava outros problemas. Havia apenas dois chuveiros para uso coletivo e um dos dormitórios ficava a cerca de 30 metros do banheiro, sem cobertura no trajeto. Em dias de chuva, alguns trabalhadores disseram que evitavam sair do quarto à noite e urinavam no terreno.
A limpeza do alojamento era feita pelos próprios funcionários, fora do expediente e em sistema de revezamento.
A empresa fornecia alimentação, mas o local não tinha estrutura adequada para as refeições e não havia mesas e cadeiras suficientes para todos.
Para a Auditoria-Fiscal, o conjunto das irregularidades configurou condições degradantes e violação de direitos básicos, caracterizando trabalho análogo à escravidão, conforme o artigo 149 do Código Penal.
Os trabalhadores foram retirados do alojamento e receberam as guias para solicitar o Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, que prevê seis parcelas.
O relatório da fiscalização foi encaminhado ao MPT, que deverá adotar as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis. A empresa não teve o nome divulgado. Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê.
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