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Polícia em São Paulo investiga MC e outras 52 pessoas por golpe do falso advogado

Um dos principais alvos da ação é João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original. A polícia foi até ao menos dois endereços ligados a ele.

24 de fevereiro de 2026 às 10:33   - Atualizado às 10:36

João Vitor Ribeiro conhecido como MC Negão Original.

João Vitor Ribeiro conhecido como MC Negão Original. Foto: Reprodução/ Instagram

A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) deflagraram na manhã desta terça-feira, 24 de fevereiro, uma megaoperação para cumprir 53 mandados de prisão temporária contra suspeitos de envolvimento em golpes como do "falso do advogado" e do INSS e da "mão fantasma".

Um dos principais alvos da ação é João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original. A polícia foi até ao menos dois endereços ligados a ele em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo, mas o cantor não foi encontrado. A reportagem também não localizou a defesa do investigado.

A pedido do Ministério Público, a Justiça determinou o bloqueio judicial de até R$ 100 milhões em cada uma das 86 contas correntes, de pessoas físicas e jurídicas, identificadas na investigação. As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da capital paulista.

A Operação Fim da Fábula cumpre ainda 120 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. Ao menos 66 vítimas de esquemas envolvendo os suspeitos foram identificadas até aqui, segundo informações preliminares.

Cerca de 300 policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) foram mobilizados para a operação, realizada em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp), do MP-SP.

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Conforme a Polícia Civil, os crimes investigados incluem associação criminosa (para cometimento de fraude) e estelionato por meio digital, além de lavagem de dinheiro inclusive por meio de bets e fintechs.

'Mão fantasma'

Um dos golpes pelos quais o grupo é investigado é o do "falso advogado", em que criminosos obtém dados dos profissionais e, se passando por eles, entram em contato com clientes com processos em aberto e pedem transferências via Pix, geralmente com a justificativa de que o valor irá destravar algum falso benefício judicial.

O grupo estaria envolvido também na aplicação do chamado golpe do INSS, em que os golpistas se passam por funcionários da previdência por telefone para obter dados sensíveis e sacar dinheiro das vítimas, e do golpe da "mão invisível" (ou "mão fantasma"), em que criminosos invadem remotamente os celulares dos alvos após envio de links maliciosos.

"Hoje não estamos apenas cumprindo mandados. Estamos alterando a equação financeira da organização criminosa", afirma ao Estadão o delegado Clemente Calvo Castilhone, do Deic. "E sem recursos, não há comando. Sem comando, não há estrutura. Sem estrutura, não há organização."

2 milhões de crimes de estelionato

Os golpes estão em alta no Brasil. Em 2024, o país registrou mais de 2 milhões de crimes de estelionato pelo segundo ano consecutivo, conforme informações do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A prática aumenta inclusive o receio do roubo de celular, considerado o principal meio para obter informações para consequentemente cometer o crime.

Informações preliminares indicam também que o grupo alvo da operação nesta terça é investigado por crimes como clonagem de cartões e aplicação de golpes a partir de falsas centrais telefônicas, focadas em usar "engenharia social" para enganar as vítimas. Ainda não há balanço parcial da operação.

Estadão Conteúdo

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