Registro feito por Maria Clara Müller durante pesquisa na UFPE será publicado na capa de uma revista científica especializada em microscopia
03 de setembro de 2026 às 08:58 - Atualizado às 09:25
Maria Clara Müller recebeu a premiação de Richard Henderson, vencedor do Nobel de Química de 2017, em Liverpool. Foto: Reprodução

A pesquisadora pernambucana Maria Clara Müller venceu um concurso internacional de imagens científicas com o registro microscópico de bactérias responsáveis pela cárie dentária. A premiação aconteceu durante o Congresso Internacional de Microscopia, realizado em Liverpool, na Inglaterra.
Doutora em Química pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maria Clara produziu a imagem durante os estudos desenvolvidos no Departamento de Química Fundamental da instituição.
O resultado foi anunciado no domingo, 30 de agosto, durante a Assembleia de Jovens Cientistas, evento paralelo ao congresso. A fotografia vencedora também será publicada na capa da revista científica Journal of Microscopy.
A premiação foi entregue por Richard Henderson, um dos vencedores do Nobel de Química de 2017. O pesquisador foi reconhecido, ao lado de Jacques Dubochet e Joachim Frank, pelo desenvolvimento de técnicas de microscopia capazes de revelar estruturas de biomoléculas em alta resolução.

A fotografia mostra bactérias causadoras da cárie penetrando em pequenos canais existentes nos dentes. Essas estruturas ficam expostas quando a região é atingida pelo processo de deterioração.
O registro foi produzido com um microscópio eletrônico disponível no laboratório da UFPE. A imagem faz parte de uma pesquisa que busca compreender o funcionamento de uma tecnologia desenvolvida para tratar cáries sem a utilização da broca odontológica.
Maria Clara é formada em Engenharia Química e concluiu o mestrado e o doutorado na UFPE. Segundo a pesquisadora, o prêmio foi inesperado e transformou um momento de hesitação em uma lembrança marcante.
Ela contou que estava criando coragem para pedir uma fotografia com Richard Henderson quando seu nome foi anunciado como vencedor. Após a entrega, o cientista ainda pediu que a pernambucana explicasse o significado da imagem.
A pesquisadora iniciará, em outubro, uma etapa do pós-doutorado na França. O trabalho dará continuidade aos estudos sobre a tecnologia criada pelo grupo pernambucano para o tratamento da cárie.
Nesta nova fase, Maria Clara utilizará um microscópio capaz de observar, em alta resolução, uma única célula bacteriana ainda viva e imersa em meio líquido.
O objetivo é acompanhar como a bactéria reage ao longo do tempo quando submetida ao tratamento experimental. A pesquisa poderá ajudar a explicar os mecanismos envolvidos na tecnologia desenvolvida pela equipe da UFPE.
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