Pastor Marcio Poncio. Foto: Divulgação
O pastor e empresário Marcio Poncio foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada "Máfia do Cigarro". A operação também teve como alvos o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos das buscas também está o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Segundo a Polícia Federal, esta etapa da investigação busca aprofundar a apuração sobre um possível esquema de lavagem de dinheiro e identificar a participação de agentes públicos e outros investigados nas movimentações financeiras analisadas.
Os policiais federais prenderam Marcio Poncio em um flat localizado na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Conhecido tanto no meio religioso quanto nas redes sociais, Poncio atua como pastor da Igreja da Nuvem e empresário. Ele também é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, que integrou a dupla UM44K.
De acordo com as investigações, Marcio Poncio é investigado por supostas ligações com um grupo apontado pelas autoridades como responsável por um esquema de lavagem de dinheiro relacionado à chamada Máfia do Cigarro.
Até o momento, as investigações seguem em andamento, e a operação busca reunir novos elementos sobre a atuação dos investigados.
A Polícia Federal informou que esta nova fase da Operação Unha e Carne surgiu após a análise de documentos apreendidos em etapas anteriores da investigação.
Segundo os investigadores, o material revelou indícios da existência de uma contabilidade paralela utilizada para movimentar recursos de forma irregular. Os documentos também apontam registros de supostos pagamentos considerados indevidos e possíveis doações eleitorais irregulares.
Com base nesse material, a PF solicitou novas medidas cautelares ao Supremo Tribunal Federal, que autorizou o cumprimento das ordens judiciais nesta quinta-feira. Além das prisões, a Justiça determinou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti.
Além das prisões e buscas, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o sequestro de bens e valores que podem chegar a aproximadamente R$ 22 milhões.
Segundo a decisão judicial, a medida busca preservar recursos que poderão ser utilizados durante o andamento do processo caso a Justiça entenda que os valores tenham relação com os crimes investigados.
A investigação também procura esclarecer a origem dos recursos movimentados pelos investigados e identificar possíveis beneficiários do esquema.
Entre os principais investigados está Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. De acordo com a Polícia Federal, ele seria apontado como o principal responsável pela organização investigada. Nesta fase da operação, os investigadores pretendem aprofundar as apurações sobre uma possível estrutura financeira utilizada para ocultar recursos e movimentar patrimônio.
A corporação informou que também apura uma possível ramificação do esquema envolvendo integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do estado do Rio de Janeiro.
O ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar também teve um novo mandado de prisão preventiva expedido pelo Supremo Tribunal Federal. Como ele já estava preso no Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, a decisão determina sua transferência para um presídio federal. A Polícia Federal não divulgou detalhes sobre a data em que a transferência deverá ocorrer.
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