Pernambuco, 02 de Setembro de 2026

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PF deflagra 3ª fase da Operação Chiado contra grupo investigado por fraudes em concursos públicos

As investigações tiveram início em setembro de 2024, quando cinco pessoas foram presas em flagrante durante a aplicação das provas para o cargo de assistente em administração da UFRPE.

01 de julho de 2026 às 12:01   - Atualizado às 12:14

 Terceira fase da Operação Chiado, da Polícia Federal.

Terceira fase da Operação Chiado, da Polícia Federal. Fotos: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira, 1º de junho, a terceira fase da Operação Chiado, que tem como objetivo aprofundar as investigações sobre uma organização criminosa suspeita de atuar em fraudes a concursos públicos e na lavagem de dinheiro. A ação foi realizada em cumprimento a decisões da 4ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco e integra uma investigação iniciada após a descoberta de um esquema durante a aplicação de um concurso público em 2024.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal nos municípios de Recife, Itaquitinga, Goiana e Paulista, em Pernambuco, além de João Pessoa, na Paraíba.

Além das buscas, a Justiça Federal determinou o sequestro e o bloqueio de ativos financeiros dos investigados, em valores que ultrapassam R$ 1,3 milhão. A medida busca impedir a movimentação de recursos que, segundo a investigação, podem estar relacionados às atividades atribuídas ao grupo.

De acordo com a Polícia Federal, esta etapa da operação representa um desdobramento das fases anteriores da Operação Chiado, que investiga um esquema de fraude em concursos públicos realizado por meio da utilização de equipamentos eletrônicos para transmissão clandestina de informações durante as provas.

Flagrante em concurso da UFRPE

As investigações tiveram início em 8 de setembro de 2024, quando cinco pessoas foram presas em flagrante durante a aplicação das provas para o cargo de assistente em administração da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Na ocasião, os suspeitos foram encontrados portando aparelhos de transmissão de áudio e pontos eletrônicos, equipamentos utilizados para receber respostas durante a realização do exame.

A partir da análise do material apreendido e do aprofundamento das investigações, a Polícia Federal identificou indícios da existência de uma organização criminosa estruturada para atuar em diferentes etapas do esquema.

Segundo as apurações, o grupo possuía uma divisão de funções entre seus integrantes. Havia um núcleo responsável pela captação e transmissão ilegal das questões das provas, pessoas encarregadas de repassar as respostas aos candidatos de forma remota e operadores financeiros responsáveis pela movimentação e ocultação dos recursos obtidos com as supostas fraudes.

Ainda conforme a Polícia Federal, há indícios de que a organização tenha participado de fraudes em mais de dez concursos públicos realizados nas esferas federal, estadual e municipal, em diferentes estados da Região Nordeste.

Terceira fase da investigação 

A primeira fase da Operação Chiado foi deflagrada em 23 de setembro de 2025. Na ocasião, foi cumprido um mandado de prisão preventiva contra o apontado líder da organização criminosa, além de um mandado de busca e apreensão em sua residência. As diligências realizadas naquela etapa contribuíram para o avanço das investigações que resultaram na nova fase da operação.

Nesta terceira etapa, os investigadores buscam reunir novas provas, identificar outros possíveis envolvidos e ampliar o rastreamento da movimentação financeira relacionada ao grupo investigado. O bloqueio patrimonial determinado pela Justiça faz parte das medidas destinadas a preservar eventual reparação de danos e impedir a ocultação de bens durante o andamento da investigação.

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de organização criminosa, fraude em certames de interesse público e lavagem de ativos. Somadas, as penas previstas para esses delitos podem chegar a 24 anos de prisão, caso haja condenação ao término do processo.

A Polícia Federal ressaltou que as investigações continuam em andamento e que os fatos seguem sob apuração. Nesta fase, o objetivo é aprofundar a coleta de provas para esclarecer a atuação da organização, identificar todos os envolvidos e subsidiar as próximas etapas da investigação.

 

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