A primeira morte foi a de Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, registrada em 30 de maio. Menos de um mês depois, a filha, Crisleine Lins dos Santos, foi internada no hospital.
07 de julho de 2026 às 14:15 - Atualizado às 14:17
Duas mulheres da mesma família morreram. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Duas mulheres da mesma família morreram com apenas 34 dias de diferença após apresentarem complicações provocadas pela chikungunya, em São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas. As vítimas foram mãe e filha, e o caso chamou a atenção para os riscos da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e para a importância da prevenção.
A primeira morte foi a de Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, registrada em 30 de maio. Menos de um mês depois, a filha, Crisleine Lins dos Santos, foi internada no Hospital Helvio Auto, no dia 23 de junho. Ela teve o quadro de saúde agravado durante o tratamento e morreu no último sábado, 4 de julho, 34 dias após o falecimento da mãe.
Segundo informações do relatório médico, Crisleine chegou ao hospital em estado considerado gravíssimo. Durante a internação, além da chikungunya, ela apresentou pressão arterial baixa, desenvolveu uma infecção bacteriana e sofreu falência múltipla de órgãos, fatores que contribuíram para o agravamento do quadro clínico.
Mesmo enfrentando a perda de duas pessoas da mesma casa em pouco mais de um mês, os familiares afirmam que não pretendem apontar responsáveis pelo ocorrido. O objetivo, segundo eles, é transformar a dor em um alerta para que outras famílias estejam atentas aos sintomas da doença e busquem atendimento médico quando necessário.
O primo de Crisleine, Edberto Junior, destacou a personalidade da jovem e falou sobre o impacto das perdas para a família.
"Crisleine era uma menina muito animada, muito alegre, por onde passava fazia festa, era amizade que ela tinha em todo canto. Nós estamos aqui não para condenar, não para procurar um culpado de tudo o que aconteceu, mas nós estamos aqui para honrar a memória dela e para que outras famílias não passem pelo que nossa família está passando, porque não é fácil perder duas pessoas da mesma família, da mesma casa, em menos de 40 dias".
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de São Miguel dos Campos lamentou a morte de Crisleine, que era servidora do município. A pasta informou ainda que mantém ações permanentes de combate ao mosquito transmissor da chikungunya, como visitas domiciliares, aplicação de larvicidas e recolhimento de materiais que possam acumular água.
O infectologista René Oliveira explicou que a chikungunya pode provocar complicações graves, principalmente em pessoas com doenças preexistentes ou com o sistema imunológico comprometido. Embora muitos pacientes apresentem evolução favorável, alguns casos exigem internação devido ao agravamento dos sintomas.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) apontam que, entre 1º de janeiro e 15 de junho deste ano, foram registrados 467 casos prováveis de chikungunya no estado. Conforme o órgão, não havia mortes confirmadas pela doença nesse período.
No ano passado, Alagoas contabilizou 3.833 casos prováveis da doença e um óbito confirmado. A chikungunya é uma infecção viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também responsável pela transmissão da dengue e da zika.
Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, dores intensas nas articulações, dores musculares, dor de cabeça e manchas pelo corpo. Especialistas reforçam que eliminar recipientes com água parada continua sendo a principal medida para reduzir a proliferação do mosquito e prevenir novos casos da doença.
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