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Fiscalização resgata 14 trabalhadores de obra em situação análoga à escravidão no Recife

O alojamento precário em Boa Viagem apresentava problemas de higiene, alimentação, instalações elétricas e jornadas excessivas, de acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho.

17 de setembro de 2026 às 18:56   - Atualizado às 19:18

Condições foram constatadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.

Condições foram constatadas pela Auditoria-Fiscal do Trabalho. Foto: Reprodução

A rotina de trabalho de 12 funcionários de uma obra em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, terminou após uma fiscalização identificar uma série de irregularidades no alojamento onde o grupo permanecia durante a semana.

Os trabalhadores foram resgatados de condições consideradas análogas à escravidão em inspeção realizada em 8 de setembro pela Auditoria-Fiscal do Trabalho.

A maioria dos trabalhadores era do interior de Pernambuco e permanecia hospedada no Recife durante os dias de expediente, retornando para suas cidades nos fins de semana. No local, os auditores encontraram problemas que atingiam desde as condições para dormir até a alimentação oferecida pela empresa.

Os colchões eram descritos como finos, rasgados e muito sujos. Roupas, documentos e outros pertences pessoais precisavam ser mantidos sobre as próprias camas. Em alguns pontos, a estrutura do alojamento também havia sido improvisada pelos próprios trabalhadores da obra, incluindo beliches, portas e janelas.

Alimentação e condições de higiene

Parte das refeições era preparada pelos próprios funcionários em fogões de resistência elétrica instalados dentro dos quartos. Segundo a fiscalização, a alimentação fornecida pela empresa era insuficiente e, em alguns dias, o jantar era composto apenas por cuscuz seco e meio ovo.

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Os auditores também encontraram alimentos com sinais de deterioração. Relatos apontaram a ocorrência de comidas azedas e problemas gastrointestinais entre os trabalhadores.

As condições sanitárias também chamaram atenção. Um dos alojamentos não tinha banheiro, fazendo com que os funcionários precisassem subir ou descer três andares da construção para utilizar instalações sanitárias.

O imóvel ainda apresentava fiações elétricas expostas e era frequentemente invadido por ratos, baratas e mosquitos. A água consumida vinha de caminhão-pipa e, conforme relatos, tinha gosto ruim e forte concentração de cloro.

Jornadas e salários

Além das condições do alojamento, a fiscalização identificou problemas relacionados ao trabalho. Os funcionários cumpriam jornadas extensas, com horas extras frequentes aos sábados, domingos e feriados, sem o pagamento considerado correto pelos auditores.

No dia da inspeção, os salários referentes ao mês ainda não haviam sido pagos. Também foram constatadas irregularidades nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Com a atuação da AFT, os trabalhadores foram afastados das atividades com direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado. A empresa deverá responder judicialmente pelas irregularidades identificadas.

Ainda três andares da obra foram interditados devido ao risco iminente de queda durante a realização de trabalhos em altura.

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