São João de Caruaru Foto: Divulgação/PMC
As Festas Juninas em Pernambuco movimentaram R$ 310,7 milhões em recursos públicos durante o período de 1º de abril a 2 de julho de 2026. Os dados foram divulgados pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por meio do Painel de Festejos Juninos, ferramenta que monitora os investimentos realizados pelas prefeituras e pelo Distrito Estadual de Fernando de Noronha nas programações do ciclo junino.
O levantamento mostra que os gastos permaneceram praticamente estáveis em relação ao ano passado. Em 2025, o total investido foi de R$ 309,6 milhões, o que representa um crescimento de apenas 0,34% em 2026, equivalente a cerca de R$ 1 milhão a mais.
O cenário contrasta com a evolução registrada entre 2024 e 2025, quando as despesas saltaram de R$ 203,2 milhões para R$ 309,6 milhões, um aumento de mais de 52%.
Segundo o coordenador do Centro de Apoio Operacional em Defesa do Patrimônio Público e do Terceiro Setor (CAO Patrimônio Público), promotor de Justiça Hodir Flávio de Melo, os números indicam uma estabilização dos investimentos públicos destinados às contratações artísticas.
De acordo com o promotor, embora não tenha ocorrido redução das despesas, o crescimento registrado em 2026 foi residual quando comparado ao avanço observado no ano anterior.
Ainda conforme a avaliação do MPPE, a orientação encaminhada às Promotorias de Justiça para acompanhar reajustes de cachês acima da inflação pode ter contribuído para uma menor variação nos valores pagos aos artistas.
O estudo também mostra que o valor médio dos cachês artísticos chegou a R$ 52,6 mil em 2026, representando aumento de aproximadamente 7% em relação aos R$ 49,2 mil registrados em 2025.
Mesmo com essa alta, o reajuste ficou abaixo da variação observada entre 2024 e 2025, quando a remuneração média por apresentação cresceu cerca de 27,7%, passando de R$ 38,5 mil para R$ 49,2 mil.
Entre as apresentações de maior custo, artistas de fora de Pernambuco chegaram a receber até R$ 1,5 milhão por show, segundo o levantamento.
Além dos valores investidos, o Painel de Festejos Juninos também registrou redução na quantidade de atrações contratadas.
Em 2026 foram contabilizados:
No ano anterior, os registros apontavam:
Os dados demonstram que, apesar da manutenção do volume de recursos públicos empregados, houve diminuição na quantidade de shows promovidos durante o período junino.
Criado pelo Ministério Público de Pernambuco em 2024, o Painel de Festejos Juninos reúne informações sobre despesas com contratações artísticas, fontes de financiamento e arrecadação relacionada aos eventos.
A plataforma também permite consultar, município por município, quais cidades destinaram os maiores volumes de recursos às festas, além dos valores pagos individualmente a cada atração.
Em sua terceira edição, o painel registrou adesão voluntária de 100% das prefeituras pernambucanas, repetindo o índice alcançado nos anos anteriores.
As informações são encaminhadas pelas administrações municipais ao MPPE e também devem ser prestadas ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), parceiro da iniciativa ao lado do Ministério Público de Contas e da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe).
Segundo o MPPE, o objetivo da ferramenta é ampliar a transparência dos gastos públicos, permitindo que órgãos de controle e a população acompanhem a evolução dos investimentos realizados nas festividades juninas em Pernambuco.
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