Ex-atleta contou que o menino voltou assustado da escola após colega ameaçar chamar a polícia para deportar os pais dele.
15 de maio de 2026 às 16:08 - Atualizado às 16:10
Joanna Maranhão ao lado do filho e o marido. Foto: Reprodução/Redes sociais
A ex-nadadora pernambucana Joanna Maranhão relatou ter passado um episódio de xenofobia envolvendo o filho Caetano, de 6 anos, durante a rotina escolar da família na Alemanha.
Em entrevista à BBC News Brasil, a pernambucana contou que o menino chegou em casa abalado após ouvir de um colega da escola que seus pais poderiam ser deportados pela polícia.
Segundo Joanna, a criança ficou assustada sem compreender exatamente o significado das palavras usadas pelo colega, mas entendendo que algo ruim poderia acontecer com a família.
“Ele não tem noção de imigração, fronteira e política. Não é para ser uma realidade na vida de uma criança de 6 anos”, afirmou a ex-atleta.
O caso aconteceu na escola onde Caetano cursa o primeiro ano do ensino primário. Após o relato do filho, Joanna procurou imediatamente a direção da instituição para informar o ocorrido.
De acordo com ela, a escola se comprometeu a conversar com os alunos sobre respeito, diversidade e convivência, além de reforçar ações de combate à xenofobia e ao racismo no ambiente escolar.
Apesar da situação, Joanna disse acreditar no papel da educação para impedir que discursos de intolerância sejam normalizados entre crianças.
“A escola é o ambiente que pode salvar e resgatar essa criança de não se tornar um pequeno nazista”, declarou.
A ex-nadadora também contou que enfrentou dificuldade para explicar ao filho temas como deportação e xenofobia, considerados complexos até mesmo para muitos adultos.
Segundo ela, foi necessário tranquilizar o menino e reforçar que a família vive legalmente no país europeu, com toda a documentação regularizada.
“Eu confesso que me faltou vocabulário para falar disso. Eu não estava preparada para ter essa conversa com ele”, disse.
Natural de Recife, Joanna Maranhão construiu uma das trajetórias mais conhecidas da natação brasileira. Ao longo da carreira, representou o Brasil em quatro edições dos Jogos Olímpicos e conquistou destaque internacional ainda muito jovem.
Fora das piscinas, ela também se tornou referência em debates sobre proteção à infância e combate à violência sexual após denunciar, em 2008, abusos sofridos durante a infância.
Atualmente, Joanna integra a Sport & Rights Alliance, entidade voltada à defesa dos direitos humanos no esporte mundial.
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