Ed Motta presta depoimento após ser acusado de xenofobia Foto: Reprodução
O cantor e compositor Ed Motta, prestou depoimento na manhã desta terça-feira, 12 de maio, na 15ª DP da Gávea, no Rio de Janeiro. O artista está sendo investigado por injúria por preconceito após uma confusão no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. O crime prevê pena de um a três anos de reclusão.
O episódio ocorreu na madrugada do último dia 2 de maio, depois de um desentendimento sobre a cobrança da taxa de rolha de um vinho.
Ed Motta prestou esclarecimentos na delegacia por cerca de duas horas, acompanhado dos advogados Pedro Ivo Velloso e Thatiana de Carvalho Costa. Em depoimento, ele negou que tenha dirigido ofensas xenofóbicas a um barman do restaurante e classificou as acusações de ter chamado o funcionário de "paraíba" como "injustas" e "infundadas".
Ele afirmou que é cliente da casa há nove anos e que "jamais" ofendeu ou utilizou "palavras pejorativas" para dirigir-se ao barman ou a qualquer funcionário.
O cantor diz que as acusações são "sem fundamento", justificando ser ele mesmo "neto de baiano" e "bisneto de cearense", possuindo "amplo respeito pelos nordestinos".
No depoimento, o artista declarou-se negro e gordo e afirmou que, por essas condições, repudia "qualquer tipo de preconceito".
De acordo com o barman do Grado, que teria sido alvo das ofensas atribuídas a Ed Motta, o cantor começou a insultá-lo após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante:
Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”
teria dito o cantor. Em seguida, ainda conforme o relato, ele colocou uma taça de vinho sobre o balcão e afirmou: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”. Ao deixar o local, teria acrescentado: “Cambada de paraíba” e, virando-se novamente para o funcionário: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.
O barman informou ainda que não foi a primeira vez que foi insultado por Ed Motta. Em outras ocasiões, declarou, o cantor o teria xingado de "babaca" e "cara de bunda".
O funcionário disse quando que nunca revidou as ofensas e que acredita que o artista tenha, "nitidamente", a intenção de prejudicar seu trabalho.
Em depoimento, o proprietário do restaurante afirmou que Ed Motta já havia se referido anteriormente ao mesmo funcionário como “paraíba filho da put*” em um áudio enviado no ano passado. O material foi entregue à polícia. O empresário também relatou que o barman já havia mencionado episódios anteriores de provocações “em tons homofóbicos” quando o cantor se reunia com amigos em uma mesa próxima ao bar do estabelecimento.
A defesa de Ed Motta informou que "em nenhum momento houve agressão por parte dele contra qualquer pessoa no episódio do restaurante no Rio de Janeiro". O artista reconheceu que "deixou o local indignado em razão do atendimento que recebeu" e as imagens demonstram "de forma inequívoca" que ele "não teve qualquer participação nos eventos em apuração", uma vez que "já havia saído do estabelecimento", encerra a nota.
O registro de ocorrência foi feito na 15ª DP (Gávea) e enquadra o caso como injúria por preconceito, prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de injúria comum.
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