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Laboratório espacial brasileiro será lançado do Nordeste e voltará à Terra de paraquedas

Operação mobiliza cerca de 160 profissionais na Barreira do Inferno e pode ampliar pesquisas nacionais realizadas em condições de microgravidade.

05 de setembro de 2026 às 09:02   - Atualizado às 09:13

A Barreira do Inferno, em Parnamirim, na Grande Natal, recebe os testes da nova tecnologia.

A Barreira do Inferno, em Parnamirim, na Grande Natal, recebe os testes da nova tecnologia. Foto: FAB/Divulgação

O Brasil prepara o lançamento de uma plataforma científica que será levada a aproximadamente 100 quilômetros de altitude e depois deverá retornar à Terra com o auxílio de paraquedas. O teste será realizado no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.

Chamada de Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), a estrutura funciona como um laboratório destinado ao transporte de experimentos científicos e tecnológicos. Ela será lançada pelo foguete de sondagem VS-30 V16 durante a Operação Potiguar 2.

A janela da missão começou em 31 de agosto e permanecerá aberta até 19 de setembro. O dia exato do lançamento depende dos procedimentos técnicos, das condições meteorológicas e da segurança das áreas aérea e marítima.

Foguete ultrapassará 100 quilômetros

Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço, o VS-30 V16 possui aproximadamente nove metros de comprimento, 60 centímetros de diâmetro e massa de 1,6 tonelada. A carga útil pesa cerca de 401 quilos.

O foguete é suborbital, o que significa que não permanecerá girando ao redor da Terra. Depois de ultrapassar os 100 quilômetros de altitude, seguirá uma trajetória de retorno em direção ao oceano.

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Durante parte do voo, a plataforma ficará em condições de microgravidade. Esse ambiente permite observar o comportamento de materiais, líquidos, organismos e processos físicos com uma influência reduzida da gravidade.

Retorno será etapa decisiva

O principal objetivo da missão não é apenas enviar os experimentos ao espaço, mas verificar se o Brasil consegue recuperar a plataforma com segurança.

Depois da separação do foguete, diferentes mecanismos deverão reduzir a rotação e estabilizar a carga. A PSM-R possui controle por gás frio, anéis de balanceamento e um sistema chamado “ioiô”, usado para diminuir a velocidade de rotação.

Na descida, os paraquedas serão acionados para desacelerar a plataforma. A carga deverá cair em uma área prevista do oceano, onde será localizada por equipes responsáveis pelo resgate.

Os dados de telemetria e rastreamento serão acompanhados durante todo o trajeto. O funcionamento correto das diferentes etapas permitirá avaliar se a plataforma poderá ser utilizada novamente em outras missões.

Bactérias serão levadas ao espaço

Entre os experimentos estão amostras das bactérias Bradyrhizobium e Azospirillum brasilense, microrganismos utilizados na agricultura por contribuírem para o desenvolvimento das plantas.

As amostras serão transportadas em pequenos módulos equipados com biossensores e dosímetros. Os instrumentos permitirão analisar os efeitos da microgravidade e da radiação espacial sobre os microrganismos.

Caso o sistema seja aprovado, pesquisadores brasileiros poderão utilizar a plataforma em estudos relacionados a materiais, fluidos, combustão, biologia, biotecnologia e agricultura espacial.

A Operação Potiguar 2 reúne cerca de 160 militares e servidores civis. A missão dá continuidade aos testes iniciados em 2024, quando a primeira etapa avaliou procedimentos, equipamentos e sistemas relacionados ao lançamento.

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