Médico afastado por expor prontuário de paciente. (Fotos: Reprodução/ Redes Sociais)
O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC), no interior de São Paulo, afastou temporariamente das atividades o médico residente Guilherme Lourenço Monteiro após uma publicação nas redes sociais em que foram expostos dados do prontuário de um paciente atendido na instituição.
O caso veio a público após uma postagem realizada pelo profissional no Instagram no dia 21 de setembro. A publicação apresentava uma imagem de uma tela com informações relacionadas ao paciente, incluindo peso, índice de massa corporal (IMC) e altura.
Segundo o hospital, a instituição e a Comissão de Residência Médica (COREME) iniciaram imediatamente uma apuração interna assim que foram informadas sobre o episódio. A medida foi tomada em conjunto com a Procuradoria Jurídica e a chefia de gabinete do HC.
Em nota, o Hospital das Clínicas informou que o Supervisor do Programa de Residência Médica de Anestesiologia foi comunicado e determinou o afastamento temporário do residente. A conta de Instagram administrada pelo profissional também foi cancelada.
"O ocorrido também está sendo apurado do ponto de vista ético pela instituição", informou o HC.
A postagem permaneceu disponível nas redes sociais até ser apagada pelo próprio médico. Antes da remoção, o conteúdo teria ultrapassado 130 mil visualizações.
Na publicação, o residente teria feito um desabafo sobre situações enfrentadas durante o atendimento hospitalar e indicado informações relacionadas ao peso, IMC e altura do paciente.
A exposição provocou críticas nas redes sociais, principalmente pelo caráter considerado vexatório da situação e pela divulgação de informações relacionadas à saúde do paciente.
O Hospital das Clínicas destacou, entretanto, que não houve exposição da identidade do paciente. Ainda assim, a instituição classificou a publicação como inadequada e incompatível com a postura profissional esperada dos residentes.
Além da investigação interna realizada pelo hospital, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) instaurou uma sindicância para apurar o caso.
Segundo o conselho, o procedimento tramita sob sigilo, conforme determina a legislação. Dessa forma, não foram divulgados detalhes sobre a investigação ou eventuais medidas que poderão ser adotadas ao longo da apuração.
O caso também está sendo analisado sob a perspectiva ética dentro do próprio Hospital das Clínicas.
O advogado Thaffer Nasser, responsável pela defesa de Guilherme Lourenço Monteiro, informou que tomou conhecimento do afastamento temporário e afirmou que as circunstâncias e os fundamentos da medida serão analisados.
"Neste momento, por cautela e respeito à correta apuração dos fatos, a defesa não antecipará conclusões, sendo que os esclarecimentos pertinentes serão prestados oportunamente, após a análise completa das informações relacionadas ao caso", afirmou o advogado.
Na quinta-feira (24), a defesa já havia informado que o médico estava prestando os esclarecimentos necessários e colaborando com a apuração.
Em nota, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto afirmou que todos os residentes dos programas de Residência Médica e Multiprofissional recebem orientações sobre aspectos éticos e jurídicos desde o ingresso na instituição.
De acordo com o HC, entre as atividades de recepção está uma apresentação conduzida pelo presidente da Comissão de Ética Médica, pelo diretor clínico e pelo procurador jurídico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP).
A instituição também informou que oferece aos residentes um curso obrigatório sobre temas relacionados à segurança e ao cuidado com os pacientes.
Além disso, os médicos residentes são avaliados continuamente em relação a aspectos atitudinais e ao profissionalismo.
"Embora não tenha ocorrido exposição de identidade, a publicação é inadequada e não condiz com a postura profissional preconizada por esta instituição", afirmou o Hospital das Clínicas.
A apuração interna do hospital e a sindicância instaurada pelo Cremesp deverão avaliar as circunstâncias do episódio e as eventuais responsabilidades relacionadas à divulgação das informações do paciente.
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