Bebê Enrico e seus pais, após ter alta do hospital. Foto: Reprodução/Redes Sociais
A história do pequeno Enrico Doriquetto, de apenas 1 ano e 2 meses, comoveu após ele sobreviver a 22 paradas cardíacas durante complicações de uma cirurgia no coração.
O bebê, natural de Cachoeiro de Itapemirim, recebeu alta no fim de julho, após um período crítico em que, segundo a família, chegou a ser dado como morto por uma equipe médica em hospital particular de Vitória, no Espírito Santo.
Enrico nasceu com duas cardiopatias congênitas: comunicação interatrial e comunicação interventricular, alterações na estrutura do coração detectadas logo após o parto. Desde o diagnóstico, os médicos alertaram que ele precisaria de cirurgia antes de completar dois anos. O procedimento foi realizado no dia 4 de julho em um hospital da rede particular na capital capixaba.
Segundo os pais, Evandro Doriquetto e Eliza Bravim, a cirurgia foi considerada bem-sucedida pelos médicos, que informaram que não seria necessário implantar marcapasso. Nas primeiras 48 horas, a recuperação parecia tranquila. No entanto, dois dias depois, o quadro se agravou. Enrico teve uma crise convulsiva nos braços da mãe e, em seguida, entrou em parada cardíaca.
A partir desse momento, segundo a família, o bebê enfrentou uma sequência de paradas cardiorrespiratórias. Em apenas uma tarde, os pais contabilizaram quatro episódios em que o coração do menino parou e precisou ser reanimado. No dia seguinte, mais dez episódios semelhantes ocorreram em um intervalo de 90 minutos. Na última dessas paradas, a equipe médica precisou de cerca de cinco minutos para reanimá-lo.
Foi durante esse momento que, de acordo com o relato do pai, os médicos informaram que a criança não havia resistido. A equipe desligou os aparelhos e permitiu que a família se despedisse do menino. A notícia da morte chegou a ser repassada a parentes e amigos. Os pais, desolados, aguardavam o Instituto Médico Legal, que teria sido acionado para recolher o corpo.
Enquanto aguardava, Evandro, que havia saído do quarto para chorar, decidiu voltar e percebeu que Enrico parecia respirar. Alertou a equipe médica, que constatou que o coração do bebê havia retomado os batimentos, ainda que fracos. Em um dos momentos mais dramáticos da internação, a família vivenciou a inesperada reversão do quadro, que poucos minutos antes parecia irreversível.
Após novo monitoramento, os médicos identificaram que a ausência de marcapasso havia causado todas as complicações pós-operatórias. O aparelho foi implantado em seguida, e Enrico passou mais dez dias na UTI. No dia 20 de julho, ele conseguiu respirar sem ajuda de aparelhos pela primeira vez.
Após o susto, os exames neurológicos feitos no hospital não indicaram nenhuma sequela. O bebê recebeu alta com orientações médicas para iniciar acompanhamento com fisioterapeuta e fonoaudiólogo, por conta do tempo em que permaneceu entubado.
Evandro e Eliza celebraram o retorno para casa como um renascimento. “Os médicos não vão falar em milagre, mas eu falo”, desabafou o pai, emocionado, ao lembrar dos momentos em que acreditou ter perdido o filho.
O cardiologista intervencionista Vinícius Fraga Mauro explicou ao G1 que, na pediatria, quando a frequência cardíaca de um bebê cai para menos de 60 batimentos por minuto, a situação já configura uma parada cardíaca. Ele também destacou que em casos graves, como o de Enrico, os episódios podem ser entendidos como um único evento prolongado, com múltiplas tentativas de reanimação.
O especialista afirmou que crianças têm maior resistência a longos períodos de hipóxia, condição em que o coração não bombeia sangue suficiente para o cérebro, e que a agilidade nas manobras de ressuscitação é fundamental para evitar sequelas.
A Unimed Vitória, responsável pelo hospital onde Enrico ficou internado, afirmou por meio de nota que a criança recebeu toda a assistência necessária e que o tratamento foi conduzido conforme protocolos médicos e diretrizes dos órgãos reguladores. A instituição não comentou a informação de que a criança teria sido dada como morta.
Enquanto isso, a história de Enrico repercute como um símbolo de força e resistência. Após dias de incertezas, o bebê voltou ao convívio familiar, onde agora recebe os cuidados necessários para continuar se recuperando.
1
2
3
4
01:08, 06 Mar
25
°c
Fonte: OpenWeather
Iniciativa do governo oferece incentivo financeiro para alunos do ensino médio público inscritos no CadÚnico.
Volkswagen domina as duas primeiras posições do ranking de SUVs mais vendidos, seguida pelo Hyundai Creta no mercado brasileiro.
Ambientes digitais como Aprenda Mais, AVAMEC e Plafor reúnem cursos para docentes da educação básica, técnica e tecnológica.
mais notícias
+