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Extremismo e Intolerância: a carência afetiva por trás da divisão social - Por Edinázio Vieira

"Como psicanalista, observo muitas pessoas presas em um ciclo repetitivo, incapazes de crescer e evoluir como seres humanos", diz colunista.

Redação

18 de novembro de 2025 às 12:01   - Atualizado às 12:01

Extremismo e Intolerância a carência afetiva por trás da divisão social.

Extremismo e Intolerância a carência afetiva por trás da divisão social. Foto: Reprodução / IA

A intolerância, manifestada tanto na extrema direita quanto na extrema esquerda, pode ser compreendida como uma expressão de carência afetiva profunda. Esse fenômeno gera atos de violência psíquica, quase sempre vindos de pessoas com desajustes emocionais ou sociais. A partir dessa perspectiva, conseguimos entender entender o radicalismo político e religioso não apenas como posições ideológicas, mas sim como tentativas de suprir faltas internas.

Como psicanalista, observo muitas pessoas presas em um ciclo repetitivo, incapazes de crescer e evoluir como seres humanos. Há um desejo latente de controlar o outro, de formatar ou adestrar grupos inteiros. Essa dinâmica resulta na divisão da nação, que segue caminhos conflitantes sem compreender suas razões, como se fosse conduzida a um “matadouro”, ou seja, vivendo sem prazer e sem realmente viver.

No século XXI, aumentam os seguidores dessas correntes extremadas, dispostos a lutar ferozmente para defender seus pontos de vista, mesmo que faltem conhecimento e reflexão crítica sobre os temas em discussão. Entre as pautas da extrema direita, destaca-se a intolerância em relação à homossexualidade e ao aborto, enquanto a extrema esquerda, em nome de direitos humanos e das garantias jurídicas, tende a liberar essas questões de forma ampla.

Esse cenário revela a profunda crise cultural da classe média, o enfraquecimento das instituições acadêmicas e a quase extinção da espiritualidade. Essas condições criam um terreno fértil para que líderes ofereçam respostas simplistas e certezas absolutas, que por vezes são ilusórias e polarizadoras.

A intolerância, nesse contexto, funciona como um tapa-olhos, limitando a nossa percepção e o nosso entendimento. Pessoas deixam de refletir criticamente para seguir líderes políticos ou espirituais de modo acrítico. O tempo do estudo, da leitura e da aprendizagem profunda parece ter sido substituído pela comercialização da vida — compra-se tudo, do voto à salvação — num mercado onde ideias e crenças são consumidas superficialmente.

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Portanto, diante desse panorama, torna-se urgente repensar o valor da educação emocional, do pensamento crítico e da valorização da diversidade. Somente assim será possível derrubar os muros da intolerância e construir uma convivência social mais saudável, humana e respeitosa.

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