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Conhecendo uma Pessoa em Surto: Uma Análise do Comportamento Humano em Crise - Por Edinázio Vieira

"A possibilidade de surtar está presente em todos nós, e isso pode acontecer a qualquer momento", diz colunista.

Redação

27 de outubro de 2025 às 14:52   - Atualizado em 28 de outubro de 2025 às 12:03

Conhecendo uma Pessoa em Surto Uma Análise do Comportamento Humano em Crise.

Conhecendo uma Pessoa em Surto Uma Análise do Comportamento Humano em Crise. Foto: Reprodução/IA

Todos nós, em algum momento da vida, podemos surtar. O surto é um escape psíquico natural do ser humano diante das pressões emocionais e dos conflitos internos. Por isso, as pessoas desenvolvem diferentes mecanismos de defesa para lidar com essas crises; algumas manifestam seus surtos de maneira visível, enquanto outras o fazem de forma silenciosa e involuntária.

A possibilidade de surtar está presente em todos nós, e isso pode acontecer a qualquer momento, seja apresentando verdadeiros “espetáculos” emocionais, ou através de manifestações internas menos evidentes.

Manifestações e Sintomas do Surto Psíquico

Para reconhecer uma pessoa em surto, precisamos observar sintomas que indicam perda do contato com a realidade. São exemplos:

  • 1. Alucinação: A pessoa perde o vínculo com a realidade, percebendo coisas que realmente não existem.
  • 2. Delírio: Falta de entendimento claro sobre o que acontece ao redor, com crenças ou ideias falsas.
  • 3. Pensamentos Desorganizados: O raciocínio fica confuso, dificultando a comunicação e o processamento lógico.
  • 4. Desorientação Geral: A pessoa pode ficar desorientada em relação ao tempo, espaço e até em sua identidade, afetando fala e comportamento.

Esses sintomas são comuns em pacientes com esquizofrenia, mas não exclusivamente. Geralmente, são temporais e podem desaparecer após uma descarga psíquica, um momento de liberação emocional intensa que permite alguma recuperação momentânea do equilíbrio mental.

Além desses sintomas, existem outras manifestações que também indicam surtos psicológicos:

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  • - Catatonia: Imobilidade ou rigidez corporal inesperada.
  • - Isolamento Social: Retirada voluntária ou involuntária da convivência social habitual.
  • - Excesso de Tristeza: Estado prolongado de tristeza profunda que afeta o funcionamento diário.
  • - Excesso de Alegria: Estados de euforia desproporcional à realidade.

Quando esses sintomas aparecem em conjunto, caracteriza-se um surto psicótico, um quadro de rompimento temporário da realidade em que o indivíduo não está mais em seu estado habitual. É comum perceber que a pessoa saiu de sua rotina, do seu “habitat” natural, apresentando um comportamento estranho e até mesmo “desligado” dos seus padrões normais. Muitas vezes esses surtos passam despercebidos pelo grupo social em que a pessoa convive, o que pode dificultar a busca por ajuda.

Causas dos Surtos Psíquicos

Diversas situações cotidianas podem desencadear surtos psicóticos. Entre elas:

  • - Interferências do Meio Ambiente: Estresse, pressões sociais e conflitos constantes.
  • - Perturbações e Cargas Emocionais: Ansiedade, medo, insegurança acumulados.
  • - Exclusão e Abandono Social: Sentimentos profundos de rejeição e solidão.
  • - Luto e Perdas Significativas: Morte de entes queridos ou outras perdas importantes.
  • - Traições e Quebras de Confiança: Abalos emocionais profundos relacionados a relações interpessoais.

O ser humano é essencialmente emocional, e por mais que tentemos exercer controle racional sobre nossos sentimentos, existe uma necessidade fundamental do olhar do outro, da aceitação e do reconhecimento social. Vivemos na dependência dessa interação humana e não conseguimos existir plenamente sem ser desejados ou valorizados pelos outros.

Na perspectiva da psicanálise, essa necessidade é ainda mais complexa. Ela se estende desde o momento da gestação, buscando compreender as circunstâncias em que o indivíduo foi gerado, até o desejo ou não desejo de sua existência desde a origem. Este olhar profundo permite perceber que o surto é, muitas vezes, a manifestação de conflitos antigos e não resolvidos, resultantes de experiências traumáticas ou carências afetivas precoces.

Surtar Faz Parte da Existência Humana

Quem nunca surrou? Levantar a voz, perder a paciência, expressar emoções intensas são experiências comuns a todos. Algumas pessoas conseguem canalizar essa energia emocional de modo saudável, enquanto outras experimentam surtos que incomodam a si próprias e a quem convive.

Evitar completamente o desequilíbrio emocional é uma tarefa quase impossível, dada a complexidade e a intensidade dos sentimentos humanos. No entanto, é possível minimizar os impactos desses episódios por meio de estratégias preventivas. Uma campanha psicoeducacional que cuide das emoções desde a infância, por exemplo, seria um antídoto eficaz para reduzir danos emocionais e preparar as pessoas para enfrentar seus sentimentos de forma saudável.

Considerações Finais

Reconhecer os sinais de surto é fundamental para proporcionar apoio adequado e evitar que a situação se agrave. Além disso, cultivar uma cultura de empatia e cuidado emocional nas relações interpessoais pode ajudar a prevenir muitos desses eventos. Afinal, surtos são, em última análise, chamadas de socorro emocionais que revelam a fragilidade inerente à condição humana.

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