Edinázio Vieira Arte: Portal de Prefeitura
O ser humano é cercado por vários mistérios. Coitado, quanto mais busca, menos sabe sobre si mesmo. As descobertas desta década sobre o cérebro humano trouxeram instrumentos de pesquisa que possibilitaram avanços nos estudos desse órgão tão importante para a vida.
Contudo, o desconhecimento sobre os transtornos psíquicos, a loucura e a degeneração de áreas importantes do cérebro conduz o humano a doenças como Alzheimer e Parkinson.
Esses danos cerebrais escravizam e debilitam o indivíduo. Entretanto, até agora, a ciência pouco avançou para aliviar o sofrimento dos portadores dessas doenças.
Essa introdução tem o objetivo de fazer com que os leitores compreendam que o cérebro ainda é um órgão cheio de segredos e caminhos desconhecidos.
E, quando falamos da mente, a complexidade aumenta, pois ela nunca foi fotografada, vista ou apalpada.
Temos mais de 60 mil pensamentos por dia, uma verdadeira guerra mental, e isso nos conduz por caminhos perigosos. Há mais de 100 anos, Jung descobriu o inconsciente coletivo, que se manifesta em fenômenos como a sincronicidade entre indivíduos.
Um exemplo disso seria uma baderna coletiva — eis o inconsciente coletivo em ação, pessoas que agem de forma sincronizada sem uma explicação racional imediata.
Nesta década, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis idealizou a Brainet, uma sincronização cerebral simultânea, ou seja, cérebro conectado ao mesmo cérebro, formando um único cérebro.
Isso é espetacular! Entretanto, essa ideia me remete às obras freudianas, que, ao explorarem as interações dos sonhos, trazem o onírico a uma "realidade".
Talvez o leitor se pergunte: até onde a realidade é subjetiva? O cérebro e a mente criam suas próprias realidades — ou seja, até que ponto a realidade de um é a mesma realidade do outro?
Chego à conclusão de que vivemos em guetos neurológicos, ou seja, cada grupo cria a sua própria realidade.
O mundo da criança é cheio de fantasias, e cada gueto possui suas próprias versões dessas fantasias.
Quando chegamos à fase adulta, vivemos um fake coletivo: nossa realidade é um "real" de grupos. E vou além: o sofrimento psíquico é cultural.
Ele está estruturado na formação psíquica, nas experiências folclóricas, culturais e edipianas. Freud, após mil e oitocentos anos da nossa era, trouxe à existência aquilo que sonhou e formulou: uma construção onírica que nos introduz a um mundo quântico.
Este texto traz pinceladas de ideias psicanalíticas e neurocientíficas para tentar desnudar alguns mistérios.
Conduzo o leitor a analisar suas próprias experiências entre a realidade, o real e o imaginário, e a perceber que todo sofrimento surge quando deixamos nosso próprio mundo para olhar para o quintal do vizinho.
Ele nasce e nos encantamos com o glamour das redes sociais e ao imaginarmos aquilo que não podemos realizar. Mas por que não podemos?
Esse impedimento, pouco recalcado, causa sofrimento, desespero, desvalia e leva ao caos individual ou coletivo. Assim, surgem as mesmas doenças para os mesmos corpos, os mesmos grupos e os mesmos guetos. Entendem agora que essas doenças têm origem naquilo que vivemos? Contudo, vivemos uma fantasia — e essa fantasia pode ser um pesadelo ou um fake prazeroso.
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