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Artigo: O cérebro engana o tempo inteiro - Por Edinázio Vieira

"Temos mais de 60 mil pensamentos por dia, uma verdadeira guerra mental, e isso nos conduz por caminhos perigosos", escreveu o colunista

Ricardo Lélis

24 de fevereiro de 2025 às 20:57   - Atualizado às 20:57

Edinázio Vieira

Edinázio Vieira Arte: Portal de Prefeitura

O ser humano é cercado por vários mistérios. Coitado, quanto mais busca, menos sabe sobre si mesmo. As descobertas desta década sobre o cérebro humano trouxeram instrumentos de pesquisa que possibilitaram avanços nos estudos desse órgão tão importante para a vida.  

Contudo, o desconhecimento sobre os transtornos psíquicos, a loucura e a degeneração de áreas importantes do cérebro conduz o humano a doenças como Alzheimer e Parkinson.

Esses danos cerebrais escravizam e debilitam o indivíduo. Entretanto, até agora, a ciência pouco avançou para aliviar o sofrimento dos portadores dessas doenças.  

Essa introdução tem o objetivo de fazer com que os leitores compreendam que o cérebro ainda é um órgão cheio de segredos e caminhos desconhecidos.

E, quando falamos da mente, a complexidade aumenta, pois ela nunca foi fotografada, vista ou apalpada.

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Temos mais de 60 mil pensamentos por dia, uma verdadeira guerra mental, e isso nos conduz por caminhos perigosos. Há mais de 100 anos, Jung descobriu o inconsciente coletivo, que se manifesta em fenômenos como a sincronicidade entre indivíduos.

Um exemplo disso seria uma baderna coletiva — eis o inconsciente coletivo em ação, pessoas que agem de forma sincronizada sem uma explicação racional imediata.  

Nesta década, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis idealizou a Brainet, uma sincronização cerebral simultânea, ou seja, cérebro conectado ao mesmo cérebro, formando um único cérebro.

Isso é espetacular! Entretanto, essa ideia me remete às obras freudianas, que, ao explorarem as interações dos sonhos, trazem o onírico a uma "realidade".

Talvez o leitor se pergunte: até onde a realidade é subjetiva? O cérebro e a mente criam suas próprias realidades — ou seja, até que ponto a realidade de um é a mesma realidade do outro?  

Chego à conclusão de que vivemos em guetos neurológicos, ou seja, cada grupo cria a sua própria realidade. 

O mundo da criança é cheio de fantasias, e cada gueto possui suas próprias versões dessas fantasias.

Quando chegamos à fase adulta, vivemos um fake coletivo: nossa realidade é um "real" de grupos. E vou além: o sofrimento psíquico é cultural.

Ele está estruturado na formação psíquica, nas experiências folclóricas, culturais e edipianas. Freud, após mil e oitocentos anos da nossa era, trouxe à existência aquilo que sonhou e formulou: uma construção onírica que nos introduz a um mundo quântico.  

Este texto traz pinceladas de ideias psicanalíticas e neurocientíficas para tentar desnudar alguns mistérios.

Conduzo o leitor a analisar suas próprias experiências entre a realidade, o real e o imaginário, e a perceber que todo sofrimento surge quando deixamos nosso próprio mundo para olhar para o quintal do vizinho.

Ele nasce e nos  encantamos com o glamour das redes sociais e ao imaginarmos aquilo que não podemos realizar. Mas por que não podemos?  

Esse impedimento, pouco recalcado, causa sofrimento, desespero, desvalia e leva ao caos individual ou coletivo. Assim, surgem as mesmas doenças para os mesmos corpos, os mesmos grupos e os mesmos guetos. Entendem agora que essas doenças têm origem naquilo que vivemos? Contudo, vivemos uma fantasia — e essa fantasia pode ser um pesadelo ou um fake prazeroso.

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