A gestão norte-americana quer apurar se autoridades brasileiras vêm promovendo, sob a ótica de Washington, o cerceamento da liberdade de expressão, especialmente de jornalistas e políticos alinhados à direita.
Alexandre de Moraes e David Gamble Fotos: Gustavo Moreno/SCO/STF e Divulgação
O coordenador para Sanções do governo de Donald Trump, David Gamble, deve visitar o Brasil na próxima segunda-feira, 5 de maio, para se reunir com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e parlamentares de direita.
A informação foi confirmada à CNN Brasil pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), que atualmente está nos Estados Unidos.
Segundo a CNN, o objetivo da visita é colher relatos sobre possíveis abusos de autoridade cometidos por integrantes do Judiciário brasileiro, com foco nas ações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ainda de acordo com a emissora, o governo norte-americano quer apurar se autoridades brasileiras vêm promovendo, sob a ótica de Washington, o cerceamento da liberdade de expressão, especialmente de jornalistas e políticos alinhados à direita.
Ainda de acordo com a CNN, em caso de comprovação, o governo dos Estados Unidos pode adotar sanções como a proibição de entrada no país e o bloqueio de movimentações financeiras em instituições com sede nos EUA, como operadoras de cartões de crédito.
A visita de Gamble ocorre em meio a um clima de tensão entre setores da direita brasileira e o Judiciário, especialmente após decisões do STF envolvendo parlamentares e aliados do ex-presidente Bolsonaro.
O senador Marcos do Val (Podemos) voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes. Em um tom ameaçador, o parlamentar afirmou - por meio de uma live realizada em sua conta no Youtube, no dia 1º de abril, que o ministro está "fodido" e que os "seus amigos estrangeiros" estão vindo para o Brasil em comitiva sem avisar ao governo brasileiro.
“A comitiva vai vir ao Brasil - segura essa, Alexandre -, só por conta de um senador perseguido politicamente. Imagina os presos políticos e os perseguidos do dia 8 [de janeiro de 2022]. Tu está fodido. E vocês, senadores da esquerda, querem fazer alguma denúncia no Conselho de Ética? Façam e aí vocês vão entrar aqui também”, disse o senador no vídeo.
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