Pernambuco, 28 de Outubro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Ramon Dino pagará R$ 151 mil em impostos sobre prêmio do Mr. Olympia

O atleta acreano, que já havia sido vice-campeão em 2022 e 2023, alcançou o topo do pódio e recebeu uma premiação de 100 mil dólares.

Fernanda Diniz

15 de outubro de 2025 às 14:49   - Atualizado às 15:18

Ramon Dino.

Ramon Dino. Foto: Reprodução/Redes sociais/@ramondinopro

O fisiculturista Ramon Dino, destaque brasileiro no cenário internacional, conquistou no último fim de semana o título inédito do Mr. Olympia na categoria Classic Physique, realizada nos Estados Unidos.

O atleta acreano, que já havia sido vice-campeão em 2022 e 2023, alcançou o topo do pódio e recebeu uma premiação de 100 mil dólares, o equivalente a R$ 550 mil.

Do valor total, cerca de R$ 151 mil serão destinados ao pagamento de impostos ao governo brasileiro. Ainda assim, o montante representa o maior prêmio já conquistado por Dino na competição.

Com a vitória, o brasileiro mais que dobrou os ganhos acumulados ao longo de suas participações no campeonato. Até então, o atleta havia faturado 147 mil dólares (aproximadamente R$ 810 mil) em edições anteriores, sendo 20 mil dólares em cada vice-campeonato e 7 mil dólares pelo terceiro lugar obtido em 2024.

Nas redes sociais, Ramon celebrou o feito com uma mensagem de fé e gratidão.

Veja Também

“Obrigado, meu Deus! Hoje vivi um sonho que carrego no coração há muito tempo. Eu pedi… e o Senhor cumpriu, no Teu tempo, não no meu”, escreveu o fisiculturista.

A conquista consolida Ramon Dino como o maior nome brasileiro do fisiculturismo atual, marcando um feito histórico para o esporte no país.

Pobre é quem mais paga imposto no Brasil 

No Brasil, quem ganha menos paga proporcionalmente mais impostos. Pode parecer contraditório, mas essa é a lógica do sistema tributário brasileiro, marcado por uma profunda tributação regressiva. Isso significa que, ao contrário dos modelos progressivos adotados por muitos países desenvolvidos, aqui os tributos pesam mais sobre os mais pobres, especialmente porque a maior parte da arrecadação vem de impostos indiretos aplicados sobre o consumo.

Dados da Receita Federal mostram que aproximadamente 50% de toda a arrecadação tributária brasileira vem de tributos sobre bens e serviços, como ICMS, IPI, PIS e COFINS. Esses impostos incidem igualmente sobre todos os consumidores, independentemente da renda. Assim, uma pessoa que ganha um salário mínimo e outra que recebe dez vezes mais pagam os mesmos 18% de ICMS ao comprar um pacote de arroz. A diferença é que, para a primeira, essa quantia representa um sacrifício muito maior.

A tributação regressiva se manifesta com ainda mais intensidade quando analisamos o impacto dos tributos no orçamento familiar. Um estudo do Ipea mostrou que as famílias mais pobres chegam a comprometer até 53% de sua renda com impostos, enquanto entre os mais ricos esse percentual cai para cerca de 29%. Isso revela uma distorção estrutural que não apenas arrecada, mas aprofunda a desigualdade social.

Enquanto isso, a tributação sobre a renda e o patrimônio, como o Imposto de Renda (IRPF), ITCMD (heranças) ou IPTU, representa uma fração menor da carga tributária total. Além disso, no caso do IR, os mais ricos ainda conseguem usufruir de isenções e brechas legais, como a isenção sobre lucros e dividendos, o que reforça o caráter regressivo do sistema.

Em contraste, países da OCDE, como Alemanha, Suécia e França, adotam modelos mais justos, onde a maior parte dos tributos incide sobre a renda e o patrimônio, promovendo uma redistribuição mais eficaz da riqueza. Por lá, a tributação é vista como ferramenta de justiça social. No Brasil, ela muitas vezes opera no sentido oposto.

O debate sobre a reforma tributária, que vem ganhando força nos últimos anos, tenta justamente atacar esse problema. A proposta do IVA dual, que unifica tributos sobre consumo, e mecanismos como o cashback para famílias de baixa renda, são tentativas de corrigir os efeitos da tributação regressiva. No entanto, especialistas alertam que, sem mudanças profundas na forma como tributamos renda, patrimônio e lucros, a injustiça continuará a prevalecer.

Enquanto isso, o trabalhador comum segue pagando caro não só pelos produtos essenciais, mas também por um sistema que, em vez de equilibrar a balança, a inclina ainda mais contra quem tem menos.

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

14:16, 28 Out

Imagem Clima

28

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Aplicativo Meu INSS
Atenção

INSS faz alerta sobre falsas informações de biometria usadas por golpista

O órgão reforça que os beneficiários não precisam comparecer às agências do Instituto para fazer cadastro biométrico.

IBGE divulga edital para concurso público.
Certame

Concurso IBGE 2026: edital como mais de 27 mil vagas pode ser publicado até sexta-feira (30)

A oportunidade será destinada à contratação de profissionais para atuar no Censo Agropecuário, com exigência de ensino médio completo.

Prédio do Ministério da Cultura em Brasília.
Incentivo

Lei Rouanet: prazo para inscrever projetos culturais termina neste sábado (31)

Ministério da Cultura informa que não haverá prorrogação e recomenda antecipar o envio das propostas pelo Salic.

mais notícias

+

Newsletter