O campeão do Mr. Olympia 2024 anunciou a decisão de deixar o valor da premiação nos Estados Unidos para evitar pagar uma segunda tributação ao trazer o dinheiro para o Brasil.
Ramon Dino. Foto: Reprodução/Redes sociais
A escolha do fisiculturista Ramon Dino, campeão do Mr. Olympia 2024, de manter US$ 100 mil (cerca de R$ 550 mil) nos Estados Unidos, foi vista por economistas como um movimento de inteligência financeira e planejamento patrimonial global.
De acordo com o sócio de escritório de investimentos e consultor financeiro Wesley Cardozo, a decisão do atleta garante proteção cambial, redução de custos tributários e acesso a investimentos mais rentáveis e estáveis.
“Não é apenas uma manobra fiscal, mas um exemplo prático de como brasileiros com rendimentos internacionais podem proteger e multiplicar seu patrimônio”, avaliou o especialista.
A principal vantagem seria a proteção contra a desvalorização do real. A moeda brasileira, que ocupa apenas a 19ª posição entre as mais negociadas do mundo, responde por 1,1% do mercado global de câmbio, enquanto o dólar representa 59% das reservas internacionais.
“Desde o Plano Real, o real perdeu mais de 80% do valor frente ao dólar. Para alguém como Ramon, que ganha e gasta internacionalmente, manter parte do patrimônio em dólar é um seguro contra a volatilidade da economia brasileira”, explicou.
A decisão também evita custos com transferências internacionais. Remessas do Brasil para o exterior são taxadas pelo IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), com alíquotas que variam entre 1,1% e 3,5%, além do spread bancário, que pode acrescentar até 3% sobre o valor enviado.
“Em uma operação de US$ 10 mil, a diferença entre uma alíquota de 0,38% e outra de 3,5% pode ultrapassar R$ 1,7 mil. Manter o dinheiro fora evita esse custo recorrente”, afirmou o economista.
Outro ponto destacado é o chamado “risco Brasil”, um conjunto de fatores como instabilidade política, inflação, incerteza fiscal e mudanças regulatórias que tornam o ambiente econômico nacional menos previsível.
“Diversificar o patrimônio é reconhecer que o Brasil é nossa casa, mas não precisa ser o único lugar onde concentramos nosso risco financeiro”, acrescentou.
Além disso, o especialista lembrou que o mercado americano oferece maior segurança e diversidade de investimentos.
“Enquanto a B3 tem valor de mercado de cerca de US$ 0,9 trilhão, as bolsas americanas somam mais de US$ 46 trilhões, o que representa 58% do mercado global. Lá estão as maiores e mais lucrativas empresas do mundo — Apple, Microsoft, Amazon, Nvidia, Meta — além de fundos de índice como o S&P 500, que historicamente rendem mais de 10% ao ano”, explicou.
A declaração da esposa de Ramon, de que o casal deixa o dinheiro “rendendo lá”, reforça o caráter de planejamento de longo prazo.
“O objetivo não é apenas evitar impostos, mas construir riqueza de forma eficiente e sustentável”, concluiu o economista.
Aos 30 anos, Ramon Dino soma mais de US$ 147 mil em prêmios apenas em competições. Manter parte desse montante em dólar, segundo o especialista, é uma escolha que protege o poder de compra e amplia as oportunidades de crescimento financeiro.
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