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Ramon Dino "dribla" impostos e protege fortuna mantendo US$ 100 mil nos EUA, diz especialista

O campeão do Mr. Olympia 2024 anunciou a decisão de deixar o valor da premiação nos Estados Unidos para evitar pagar uma segunda tributação ao trazer o dinheiro para o Brasil.

Fernanda Diniz

16 de outubro de 2025 às 18:35   - Atualizado às 19:22

Ramon Dino.

Ramon Dino. Foto: Reprodução/Redes sociais

A escolha do fisiculturista Ramon Dino, campeão do Mr. Olympia 2024, de manter US$ 100 mil (cerca de R$ 550 mil) nos Estados Unidos, foi vista por economistas como um movimento de inteligência financeira e planejamento patrimonial global.

De acordo com o sócio de escritório de investimentos e consultor financeiro Wesley Cardozo, a decisão do atleta garante proteção cambial, redução de custos tributários e acesso a investimentos mais rentáveis e estáveis.

“Não é apenas uma manobra fiscal, mas um exemplo prático de como brasileiros com rendimentos internacionais podem proteger e multiplicar seu patrimônio”, avaliou o especialista.

A principal vantagem seria a proteção contra a desvalorização do real. A moeda brasileira, que ocupa apenas a 19ª posição entre as mais negociadas do mundo, responde por 1,1% do mercado global de câmbio, enquanto o dólar representa 59% das reservas internacionais.

“Desde o Plano Real, o real perdeu mais de 80% do valor frente ao dólar. Para alguém como Ramon, que ganha e gasta internacionalmente, manter parte do patrimônio em dólar é um seguro contra a volatilidade da economia brasileira”, explicou.

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A decisão também evita custos com transferências internacionais. Remessas do Brasil para o exterior são taxadas pelo IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), com alíquotas que variam entre 1,1% e 3,5%, além do spread bancário, que pode acrescentar até 3% sobre o valor enviado.

“Em uma operação de US$ 10 mil, a diferença entre uma alíquota de 0,38% e outra de 3,5% pode ultrapassar R$ 1,7 mil. Manter o dinheiro fora evita esse custo recorrente”, afirmou o economista.

Outro ponto destacado é o chamado “risco Brasil”, um conjunto de fatores como instabilidade política, inflação, incerteza fiscal e mudanças regulatórias que tornam o ambiente econômico nacional menos previsível.

“Diversificar o patrimônio é reconhecer que o Brasil é nossa casa, mas não precisa ser o único lugar onde concentramos nosso risco financeiro”, acrescentou.

Além disso, o especialista lembrou que o mercado americano oferece maior segurança e diversidade de investimentos.

“Enquanto a B3 tem valor de mercado de cerca de US$ 0,9 trilhão, as bolsas americanas somam mais de US$ 46 trilhões, o que representa 58% do mercado global. Lá estão as maiores e mais lucrativas empresas do mundo — Apple, Microsoft, Amazon, Nvidia, Meta — além de fundos de índice como o S&P 500, que historicamente rendem mais de 10% ao ano”, explicou.

A declaração da esposa de Ramon, de que o casal deixa o dinheiro “rendendo lá”, reforça o caráter de planejamento de longo prazo.

“O objetivo não é apenas evitar impostos, mas construir riqueza de forma eficiente e sustentável”, concluiu o economista.

Aos 30 anos, Ramon Dino soma mais de US$ 147 mil em prêmios apenas em competições. Manter parte desse montante em dólar, segundo o especialista, é uma escolha que protege o poder de compra e amplia as oportunidades de crescimento financeiro.
 

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