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Polícia apreende último adolescente suspeito de participar de estupro coletivo em São Paulo

Além dele, um adulto foi preso e outros três adolescentes foram apreendidos na semana passada, após os policiais terem acesso a vídeos que mostram o crime.

Cami Cardoso

04 de maio de 2026 às 13:16   - Atualizado às 13:34

Polícia apreende último adolescente suspeito de participar de estupro coletivo em São Paulo

Polícia apreende último adolescente suspeito de participar de estupro coletivo em São Paulo Foto: Divulgação

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência infantil, violência sexual e estupro de vulnerável. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 100 ou 190 e denuncie

O quarto adolescente envolvido no estupro coletivo de duas crianças na Vila Jacuí, na zona leste de São Paulo, foi apreendido nesta segunda-feira, 4, em Ermelino Matarazzo, também na zona leste da capital.

Além dele, um adulto foi preso e outros três adolescentes foram apreendidos na semana passada, após os policiais terem acesso a vídeos que mostram o crime. O caso ocorreu em 21 de abril, mas só foi denunciado três dias depois.

Quem são os suspeitos?

As investigações da Polícia Civil do Estado indicaram a participação de um adulto e quatro adolescentes, de 14 a 16 anos, no crime.

Três adolescentes foram detidos na quinta-feira, 30. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, o quarto menor, de 15 anos, foi apreendido nesta segunda-feira. Ele foi encaminhado à delegacia acompanhado da mãe e, posteriormente, será levado à Fundação Casa.

O único adulto envolvido no crime foi identificado como Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos. Ele foi preso na cidade de Brejões, na Bahia, no sábado, 2, e será transferido para São Paulo nesta segunda-feira.

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A defesa dos citados não foi localizada. O espaço segue aberto.

Além de estupro de vulneráveis, Santos também deve responder por corrupção de menores (relacionada aos quatro adolescentes) e divulgação de imagem de menores (as duas vítimas).

Como os suspeitos atraíram as vítimas?

O crime ocorreu em 21 de abril, na comunidade de União Vila Nova, na Vila Jacuí. As vítimas, de 7 e 10 anos, eram vizinhas dos agressores e haviam sido chamadas pelo grupo para empinar pipa.

"Eles eram vizinhos e conviviam. As crianças tinham confiança neles. Foram soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel [de um dos adolescentes] porque eles passaram e falaram: 'vamos soltar pipa? Ah, entra aqui que tem uma linha'", afirmou a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, do 63º Distrito Policial, da Vila Jacuí.

"Um dos adolescentes falou que inicialmente era uma brincadeira que acabou escalando. Mas a iniciativa de gravar os vídeos foi do maior. Foi ele que começou as brincadeiras, segundo eles. E ele começou a gravar no celular dele. E depois ele pediu para que outro menor gravasse", acrescentou.

Os agressores gravaram o estupro de vulneráveis e Santos compartilhou os vídeos no WhatsApp com conhecidos. Em um dos vídeos, de 63 segundos, as crianças choram, gritam e falam ao menos nove vezes "para" e cinco vezes "eu não quero". Enquanto isso, os violadores riem, insistem no ato e agridem as vítimas.

As imagens foram encaminhadas entre membros da comunidade que se indignaram com o episódio.

Como os crimes foram descobertos?

Janaína disse que, antes do registro do boletim de ocorrência, o caso já repercutia nas redes sociais.

"Assim que tomamos conhecimento, os investigadores saíram a campo, conseguiram localizar as vítimas, porque as vítimas estavam sendo pressionadas para não registrassem o boletim de ocorrência na delegacia. Embora na internet estivesse sendo divulgado os vídeos, a família não havia registrado o boletim", afirmou.

O registro formal da denúncia ocorreu em 24 de abril. Segundo a delegada, a irmã de uma das vítimas, que não mora mais na comunidade, recebeu os vídeos, reconheceu o irmão e levou o caso à delegacia. No entanto, ela não tinha informações sobre onde e quando os crimes ocorreram.

Janaína afirmou que as famílias foram pressionadas para não acionar as autoridades. "A família foi pressionada pela comunidade. Eles queriam resolver entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento", disse. "A família estava com medo Todos saíram de lá. Teve gente que saiu com a roupa do corpo e deixou o imóvel sem nada lá. Foi uma dificuldade localizar essas vítimas."

Como estão as vítimas?

Segundo a delegada, as vítimas estão "na medida do possível, bem". "Eles não entendem muito bem o que aconteceu", disse.

A mãe da criança mais velha é dependente química e não há outro responsável por sua guarda. A criança foi encaminhada ao Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes, da Prefeitura de São Paulo, com dois irmãos menores de idade, após o Conselho Tutelar verificar que não havia condições de permanência com a mãe.

Já o menino mais novo está com a mãe em uma Vila Reencontro, moradia temporária da gestão municipal para pessoas em situação de vulnerabilidade.

As vítimas estão sendo acompanhadas pelo Conselho Tutelar de São Miguel Paulista, por assistentes sociais e profissionais de saúde e pelo Projeto Bem-Me-Quer, programa de acolhimento do governo estadual a vítimas de violência sexual.

O que falta esclarecer?

A Polícia Civil não encontrou indícios de que o estupro tenha sido planejado nem que o grupo atue como uma quadrilha. Também não identificou outros casos de abusos sexuais na comunidade.

Ainda assim, aguarda o depoimento de Santos e a realização de perícias em seu celular antes de concluir a investigação. Depoimentos de novas testemunhas podem ocorrer a partir disso.

Depois, haverá o indiciamento, e o caso será encaminhado ao Ministério Público, órgão responsável por decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça.

Estadão Conteúdo.

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