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Plano de reestruturação dos Correios prevê até 10 mil demissões

Somente no primeiro semestre deste ano, os Correios registraram R$ 4,3 bilhões de déficit, após acumularem resultado negativo de R$ 2,5 bilhões em 2024.

Fernanda Diniz

21 de novembro de 2025 às 15:22   - Atualizado às 15:45

Correios

Correios Foto: Reprodução/Internet

Os Correios podem promover uma das maiores reduções de quadro da história da estatal, com a estimativa de desligamento de cerca de 10 mil empregados como parte do amplo plano de reestruturação em curso.

O número representa aproximadamente 8,6% de toda a força de trabalho, e deve ocorrer por meio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) que está em fase final de desenho interno.

A direção da empresa afirma que o PDV será direcionado principalmente a áreas consideradas com excesso de mão de obra, em um esforço para reduzir custos e tentar reverter a trajetória de prejuízos sucessivos.

Somente no primeiro semestre deste ano, os Correios registraram R$ 4,3 bilhões de déficit, após acumularem resultado negativo de R$ 2,5 bilhões em 2024.

A redução do quadro se soma a outras medidas anunciadas, como o fechamento de até 1.000 agências deficitárias, renegociação de contratos, venda de imóveis e uma operação de crédito que deve alcançar até R$ 20 bilhões, considerada vital para equilibrar o caixa entre 2025 e 2026.

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Segundo a direção da estatal, a combinação de enxugamento estrutural e reforço financeiro é necessária para recuperar a competitividade perdida nos últimos anos, especialmente após o avanço de empresas privadas no setor de encomendas.

A expectativa é que, com a contenção de despesas e a reorganização operacional, os Correios consigam retomar resultados positivos a partir de 2027.

Apesar do impacto expressivo sobre os empregos, a estatal argumenta que o corte é indispensável para garantir sua sobrevivência financeira e viabilizar um novo ciclo de modernização.

Prejuízo histórico 

A pressão por eficiência no setor de logística e entregas nunca foi tão intensa. A lógica é simples: quem transporta mais rápido e mais barato conquista o consumidor. Nas regiões mais rentáveis do país, essa empresa raramente é os Correios.

Com um histórico de má gestão e lentidão para inovar, a estatal enfrenta seu pior momento em décadas. No primeiro semestre de 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 4,4 bilhões, quase o dobro do resultado negativo de todo o ano de 2024, que foi de R$ 2,6 bilhões. O rombo chama atenção porque ocorre em meio a um mercado em plena transformação, no qual empresas privadas como Mercado Livre, Amazon Logistics e transportadoras regionais têm dominado a logística de e-commerce no país.

Segundo dados do governo, os Correios respondem pela maior parte do déficit de R$ 18,5 bilhões registrado pelas estatais federais desde o início do terceiro mandato do presidente Lula número que não inclui Petrobras e bancos públicos. A situação reacende o debate sobre o papel das empresas estatais e a falta de eficiência administrativa sob controle político.

Especialistas apontam que, apesar do peso histórico e da capilaridade da estatal, os Correios não conseguiram acompanhar o ritmo de digitalização e automação da concorrência. Problemas de gestão, ineficiência operacional e falta de investimentos estratégicos têm comprometido a competitividade da empresa.

Enquanto isso, propostas de reestruturação ou privatização voltam a ser discutidas nos bastidores de Brasília, mas o governo federal resiste em abrir mão do controle. O discurso oficial é de recuperação e modernização, mas o cenário atual mostra o contrário: uma estatal com estrutura inchada, resultados negativos e imagem cada vez mais desgastada.

Com o prejuízo bilionário dos Correios, o governo Lula enfrenta críticas crescentes sobre a capacidade de gestão das estatais. E a pergunta que paira no ar é se haverá, de fato, vontade política e competência técnica para reverter o quadro antes que a estatal se torne irreversivelmente obsoleta.

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