O estudo chama atenção por um fenômeno já conhecido na natureza como a capacidade de certos fungos de controlar seus hospedeiros.
09 de abril de 2026 às 13:58 - Atualizado às 14:00
Gibellula mineira. Foto: Divulgação/Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, revelou a existência de uma nova espécie de fungo capaz de infectar aranhas e alterar seu comportamento.
O organismo, batizado de Gibellula mineira, foi encontrado durante atividades de campo voltadas à observação de aracnídeos em áreas de floresta dentro do campus da instituição.
O estudo chama atenção por um fenômeno já conhecido na natureza como a capacidade de certos fungos de controlar seus hospedeiros. No caso dessa nova espécie, o microrganismo invade o corpo da aranha e interfere em suas ações, levando o animal a agir de forma diferente do habitual comportamento que costuma ser associado ao termo popular “zumbi”.
Apesar da comparação com produções de ficção como a série The Last of Us, os pesquisadores reforçam que esse tipo de manipulação não representa risco para humanos. Na natureza, esse mecanismo ocorre apenas em organismos como insetos e aranhas.
A identificação do fungo ocorreu durante o mestrado da estudante Aline dos Santos, que inicialmente investigava possíveis mudanças no comportamento de aranhas. A pesquisa foi orientada pela cientista Thairine Mendes Pereira e pelo professor Thiago Gechel Kloss, ambos vinculados à UFV.
Durante as coletas realizadas ao longo de 2024, os pesquisadores encontraram exemplares de aranhas com características incomuns. A partir dessas observações, iniciou-se uma análise detalhada que incluiu comparações com espécies já conhecidas, além de estudos morfológicos e genéticos.
Após essa etapa, foi confirmado que o organismo se tratava de uma espécie ainda não registrada pela ciência. Os resultados do estudo foram publicados em março na revista científica Fungal Biology.
O Gibellula mineira parasita aranhas da espécie Iguarima censoria. De acordo com os dados obtidos na pesquisa, cerca de 25% da população observada dessas aranhas estava infectada.
Quando contaminadas, as aranhas apresentam mudanças de comportamento provocadas pelo fungo. Esse tipo de relação é conhecido como parasitismo, em que um organismo depende do outro para sobreviver, muitas vezes causando prejuízos ao hospedeiro.
Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de aranhas menores apresentarem maior probabilidade de infecção. Esse padrão não era esperado e levanta novas hipóteses sobre como o fungo interage com seus hospedeiros e quais fatores influenciam esse processo.
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