Operação Backbone investiga monopólio de internet em comunidades do Rio de Janeiro e prevê bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores.
19 de outubro de 2026 às 10:32 - Atualizado às 10:37
Mãe e irmão do rapper Oruam são presos em operação da Polícia Federal contra o Comando Vermelho. Foto: Reprodução/Redes Sociais e TV Globo
A mãe e um irmão do rapper Oruam foram presos pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira, 19 de outubro, durante a Operação Backbone, que investiga um esquema de monopólio do fornecimento de internet atribuído ao Comando Vermelho (CV) em comunidades do Rio de Janeiro. A ação busca desarticular a estrutura empresarial que, segundo as investigações, seria utilizada pela facção para explorar o serviço e lavar dinheiro.
Entre os alvos estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca. Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Até a última atualização das informações divulgadas, 19 mandados de prisão haviam sido cumpridos. A operação também teve como alvo Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, pai do rapper e que já está preso. O vereador do Rio de Janeiro Fabio Silva, do Podemos, também foi detido em Londrina, no Paraná.
A PF não havia esclarecido se Oruam era investigado especificamente no inquérito relacionado à Operação Backbone.
A operação tem como objetivo desarticular uma rede de provedores de internet que, conforme a investigação, atuaria nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense. De acordo com a Polícia Federal, empresas ligadas ao esquema também seriam utilizadas para ocultar e movimentar recursos provenientes da exploração do serviço.
Ao todo, foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. As diligências ocorreram nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, medida que alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas. Além disso, foi ordenada a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e firmas apontadas como de fachada.
Segundo a PF, Marcinho VP continuaria exercendo influência sobre atividades empresariais nesses territórios, em conjunto com familiares e outras lideranças da facção. A corporação afirma que os lucros seriam repassados por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.
As investigações apontam que integrantes armados do Comando Vermelho cortariam cabos, incendiariam caixas de distribuição de operadoras concorrentes e impediriam reparos na infraestrutura de empresas regulares. A prática teria como objetivo forçar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção.
Ainda segundo a Polícia Federal, essas empresas pagariam mensalmente uma espécie de tarifa para operar nos territórios dominados pelo grupo criminoso.
Registros contábeis citados pela corporação indicariam que, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet representou mais de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser comunicada para avaliar a cassação das autorizações e a interdição dos provedores investigados. A medida também prevê providências para garantir a continuidade do serviço de internet aos moradores das áreas afetadas.
Os alvos da operação poderão responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.
A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro, seguindo diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
Em abril de 2026, Oruam, sua mãe e seu irmão foram alvos de mandados de prisão em uma fase da Operação Contenção, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao Comando Vermelho. Na ocasião, eles não foram localizados.
No mês seguinte, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras pessoas à Justiça por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As investigações são distintas, e as suspeitas atribuídas aos envolvidos devem ser analisadas no âmbito dos respectivos procedimentos judiciais.
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