Para o apresentador é preciso criar oportunidades para jovens que crescem em comunidades marcadas pela violência, oferecendo referências positivas e alternativas de futuro.
Luciano Hulk critica megaoperação no Rio durante programa na Globo: 'Ação sem nenhum resultado" Foto: Reprodução / TV Globo
No último domingo, 2 de novembro, o apresentador Luciano Huck usou o encerramento de seu programa exibido na TV Globo, para falar sobre a recente megaoperação policial no Rio de Janeiro que resultou na morte de mais de 120 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha. Durante cerca de três minutos e meio, Huck refletiu sobre os impactos da ação e criticou a forma como a segurança pública é conduzida no estado.
O apresentador lembrou que esse modelo de atuação vem sendo repetido há décadas, sem apresentar mudanças significativas. Ele destacou que, por trás das estatísticas, há vidas humanas e famílias devastadas. “120 mortos numa operação policial… Por trás desse número estão 120 mães que enterraram seus filhos”, disse.
“É uma tristeza ver o mesmo modelo de segurança pública se repetindo há décadas sem nenhum resultado. Quantas vezes eu já não parei um programa de televisão aqui na TV Globo para falar desse assunto? 120 mortos numa operação policial nos complexos do Alemão e da Penha. Por trás desse número tem 120 mães que enterraram seus filhos”
Huck afirmou que a repressão ao crime organizado é necessária, mas que ações policiais isoladas não resolvem o problema. Para ele, é preciso criar oportunidades para jovens que crescem em comunidades marcadas pela violência, oferecendo referências positivas e alternativas de futuro. “Quando o Estado se ausenta, outro poder ocupa esse lugar. E é isso que precisa mudar”, comentou.
“É preciso gerar oportunidade. Dar perspectiva para quem nasce nesses recortes da cidade do Rio de Janeiro. Oferecer boas referências, abrir caminhos, mostrar que existem outros futuros possíveis. Porque, quando o Estado se ausenta, outro poder ocupa esse lugar. E é justamente isso que precisa mudar”
O apresentador destacou ainda que os moradores das comunidades não devem ser vistos como cúmplices da criminalidade, mas como pessoas que vivem reféns de um sistema que não oferece perspectivas. Ele lembrou que armamentos pesados, drones e fuzis não surgem por acaso nas mãos do tráfico, e que o verdadeiro lucro com a criminalidade acontece fora dessas comunidades.
“Quem lucra de verdade com a criminalidade não está no Complexo do Alemão e nem na Penha. Aqueles fuzis, aqueles drones, aquelas armas de guerra não foram fabricados ali e não chegaram ali sozinhos”
Huck também compartilhou que discutiu o assunto com seus filhos, reforçando a necessidade de pensar soluções que possam transformar realidades de longo prazo.
“Em muitos lugares do mundo, com realidades muito parecidas, isto já aconteceu. Colômbia, aqui do lado. Medellín deixou de ser, de ter o título da cidade mais violenta do mundo nos anos 90. Década de 80, Nova Iorque tinha esse mesmo título. Hoje é uma das cidades mais seguras do mundo e mais visitadas do planeta”
O apresentador não deixou de lembrar os policiais que perderam a vida durante a operação, reafirmando seu respeito pela corporação e pelo trabalho dos agentes. Huck enfatizou que acredita na polícia pelos bons exemplos, e não pelas exceções negativas. Ele mencionou que os quatro profissionais mortos saíram de casa para trabalhar e não retornaram, ressaltando o peso humano e emocional da operação.
“Eu acredito na polícia pelos seus melhores exemplos e não pelas suas exceções. Os quatro policiais mortos em combate saíram de casa pra trabalhar e não voltaram. Essa também é uma parte devastadora dessa história. Eu espero que no futuro a gente não precise mais falar sobre isso desta forma. Nós, brasileiros, queremos paz e segurança”
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