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Javier Milei acusa governo Lula de participação financeira em campanha anti-Argentina

O presidente argentino também voltou a questionar a decisão do ministro Moraes, do STF, que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar

Romildo Lacerda

27 de julho de 2026 às 17:12   - Atualizado às 17:14

Lula, presidente do Brasil e Milei, Presidente da Argentina

Lula, presidente do Brasil e Milei, Presidente da Argentina Foto: Agência Brasil/Reprodução redes sociais

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a elevar o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo brasileiro. As novas declarações foram feitas neste domingo, 26 de julho, durante entrevista à Rádio Mitre, um dia após sua participação na convenção nacional do PL, em São Paulo, onde oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Na entrevista, o chefe da Casa Rosada afirmou que o Brasil teve participação financeira em uma suposta campanha contrária à Argentina durante o processo eleitoral de 2023. Segundo Milei, o posicionamento internacional adotado por sua gestão, com aproximação dos Estados Unidos e de Israel, colocou o país como uma referência para o que classificou como defesa da liberdade.

É por isso que houve todos os ataques, toda a campanha midiática, porque estamos sendo o farol do Ocidente, porque estamos mudando o mundo, porque estamos desafiando as políticas desses vigaristas que se escondem atrás do governo para roubar das pessoas honestas", disse.

Na sequência, o presidente argentino reforçou a acusação contra o governo brasileiro.

"Vocês sabem quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina? O governo brasileiro. 25% dos recursos vieram do governo brasileiro. E depois vêm falar em interferência. Além disso, eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Vocês se esqueceram de que os assessores de Massa [Sergio Massa, principal adversário de Milei nas urnas] eram um grupo de brasileiros?", afirmou.

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Críticas ao STF e reação diplomática

Milei também voltou a questionar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Ao comentar o episódio, ele comparou a situação com a visita realizada por Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que também cumpre prisão domiciliar por condenação por corrupção.

“Eu queria ir ver meu amigo Jair Bolsonaro. Não me deixaram. Aqui, porém, o ex-presidiário veio cumprimentar o prisioneiro”, declarou.

Na mesma entrevista, o presidente argentino voltou a defender Bolsonaro e ampliou as críticas aos grupos políticos que, segundo ele, atuariam contra seu governo.

“Aqui não houve problemas. Ninguém o proibiu de fazer nada. No entanto, não me deixaram visitar meu amigo, que também está preso injustamente. Além disso, essa campanha anti-Argentina também é financiada pelo México e pelo Partido Democrata dos EUA. São os líderes progressistas que não querem que as ideias de liberdade funcionem", afirmou.

As declarações ocorreram no mesmo dia em que o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília. Na sequência, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a "repulsa" do governo brasileiro em relação às declarações feitas por Milei durante o evento do PL.

No discurso realizado no sábado (25), em São Paulo, o presidente argentino criticou Alexandre de Moraes pela negativa ao pedido de visita a Bolsonaro, chamando o ministro de “careca lixo”. Na mesma ocasião, também voltou a atacar Lula, utilizando os termos "presidiário" e "ladrão".

O episódio amplia o desgaste diplomático entre Brasil e Argentina, marcado por sucessivas divergências políticas e ideológicas desde a posse de Milei.

Governador da província sai em defesa do governo Lula

As declarações também provocaram reação dentro da própria Argentina. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, informou que entrou em contato com o Itamaraty para condenar a postura do presidente argentino e afirmou que as falas não refletem o sentimento do povo argentino em relação ao Brasil.

Em comunicado, o governador disse ter acompanhado o pronunciamento de Milei com “profunda vergonha” e criticou os ataques direcionados ao governo brasileiro.

“Ontem vimos, com vergonha alheia, o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país. Da província de Buenos Aires, afirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e aposta na integração regional”, disse o governador de Buenos Aires.

Kicillof também ressaltou a importância da relação econômica entre os dois países, destacando que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. Além disso, afirmou que o apoio de Milei à candidatura de Flávio Bolsonaro estaria relacionado à influência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
 

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