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CNN encerra entrevista com Bolsonaro após ex-presidente se exaltar; veja vídeo

Bolsonaro foi entrevistado sobre os processos em que é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fernanda Diniz

16 de julho de 2025 às 17:30   - Atualizado às 17:55

Ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Metrópoles

Durante uma entrevista concedida à CNN Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve um momento de forte exaltação ao comentar as acusações que enfrenta no Supremo Tribunal Federal, incluindo tentativa de golpe de Estado. Visivelmente abalado, Bolsonaro elevou o tom de voz, gritou, usou palavrões e criticou duramente as decisões judiciais relacionadas aos condenados pelos atos do 8 de janeiro. (Veja vídeo abaixo)

“Agora querem me prender por tentativa de golpe. Que golpe, porra! Que golpe! Que golpe é esse? Sem tropa, sem armas, sem Forças Armadas, sem nada! Um coitado na rua! Um coitado na rua! Mulher idosa presa, 17 anos de cadeia, uma covardia o que fazem com essas pessoas. Querem me justificar e prendendo 43 anos de cadeia! Será que as pessoas que estão me julgando não têm o mínimo de consciência, o mínimo de consciência”, disse Bolsonaro, em tom exaltado.

Diante da situação, o jornalista da CNN precisou interromper a entrevista alegando limitações da grade de programação.

“Presidente, eu peço perdão por interrompê-lo. Gostaria de continuar aqui, mas eu tenho que passar daqui a pouco o jornal para um outro jornal. E não atrasar aqui a grade da TV”, afirmou o apresentador ao vivo.

Veja vídeo:

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PGR pede condenação de Bolsonaro 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu na segunda-feira, 14 de julho, ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus do núcleo 1 da trama golpista.

A manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, por volta das 23h45, e faz parte das alegações finais, a última fase antes do julgamento dos acusados, que deve ocorrer em setembro deste ano.

No documento, que tem 517 páginas, o procurador-geral, Paulo Gonet, defende que Bolsonaro e os demais réus sejam condenados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

As penas máximas para os crimes passam de 30 anos de prisão. 

Além de Bolsonaro, a PGR pediu a condenação dos seguintes réus: 

  • Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022;
  • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência - Abin;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
  • Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Em caso de condenação, Cid deverá ter a pena suspensa devido ao acordo de delação premiada assinado com a Policia Federal (PF) durante as investigações. 

Bolsonaro

Na manifestação, o procurador-geral descreveu o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista.

Segundo ele, Bolsonaro figura como líder da organização criminosa e foi o “principal articulador e maior beneficiário” das ações para tentar implantar um golpe de Estado no país em 2022.

Nas palavras de Gonet, o ex-presidente instrumentalizou o aparato estatal e operou em “esquema persistente” de ataque às instituições públicas e ao processo sucessório após o resultado das eleições presidenciais.

“Com o apoio de membros do alto escalão do governo e de setores estratégicos das Forças Armadas, mobilizou sistematicamente agentes, recursos e competências estatais, à revelia do interesse público, para propagar narrativas inverídicas, provocar a instabilidade social e defender medidas autoritárias”, disse o procurador.

Próximos passos

Com a apresentação da manifestação da PGR, começa a contar o prazo de 15 dias para que a defesa de Mauro Cid, delator na investigação, apresente suas alegações finais ao STF.

Em seguida, será a vez das defesas dos réus apresentarem suas alegações no mesmo prazo.

Após receber todas as manifestações, a data do julgamento será marcada pela Primeira Turma da Corte.

Nos bastidores do STF, a expectativa é de que o julgamento seja realizado em setembro deste ano.

 

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