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Anvisa impede venda e divulgação de dois medicamentos à base de cannabis

Segundo a Anvisa, os medicamentos proibidos, não possuem autorização ou algum registro sanitário da agência e alegavam supostos benefícios terapêuticos.

Cami Cardoso

11 de maio de 2026 às 19:35   - Atualizado às 19:53

Anvisa impede venda e divulgação de dois medicamentos à base de cannabis

Anvisa impede venda e divulgação de dois medicamentos à base de cannabis Foto: Reprodução

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira, 11 de maio, a suspensão imediata da venda e da divulgação dos medicamentos à base de cannabis Allandiol Forte Black 1:1 e Allandiol Full Spectrum 300mg, ambos produzidos pelo Instituto Alma Viva Ltda.

Segundo a entidade, os produtos das marcas Biocase e Allandiol não possuem registro nem autorização sanitária para comercialização no país, mesmo estando em circulação no mercado.

Além disso, a empresa responsável pelos produtos não possui a Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE), documento obrigatório emitido pela Anvisa para a fabricação e comercialização de medicamentos.

As irregularidades foram identificadas no perfil oficial da empresa no Instagram e também em seu site, onde os medicamentos eram divulgados com promessas de benefícios terapêuticos sem aprovação da agência reguladora.

Na mesma determinação, a Anvisa também proibiu a comercialização, distribuição e uso do antibiótico Kefazol — 1g para solução injetável (CT FA VD Trans x 10ml). A decisão vale tanto para a empresa fabricante quanto para terceiros envolvidos na distribuição dos produtos.

Segundo a agência, a suspensão ocorreu após a identificação de um desvio de qualidade relacionado a falhas no processo de embalagem do medicamento. A medida afeta os lotes 11626C, 111750C e 112056C, após o fabricante anunciar o recolhimento voluntário do produto.

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PARA QUE SERVEM REMÉDIOS A BASE DE CANNABIS 

Medicamentos à base de cannabis são feitos a partir de compostos da planta Cannabis sativa, principalmente o canabidiol (CBD) e, em alguns casos, o tetrahidrocanabinol (THC). Eles não têm efeito recreativo como a maconha usada de forma ilícita; são produzidos com controle de dosagem e uso medicinal.

Em geral, esses medicamentos são utilizados (quando autorizados e prescritos) para ajudar no tratamento de algumas condições específicas, como:

  • Epilepsia refratária (principal uso com melhor evidência, especialmente em casos raros e graves)
  • Dor crônica, especialmente dores neuropáticas
  • Esclerose múltipla, para reduzir espasmos musculares
  • Náuseas e vômitos associados à quimioterapia
  • Alguns casos de ansiedade e distúrbios do sono, ainda com evidências mais limitadas

No Brasil, o uso desses medicamentos é regulado pela Anvisa, e só pode ocorrer com prescrição médica e produtos autorizados ou importados de forma controlada. Mesmo assim, a eficácia varia conforme a condição tratada, e não são considerados tratamentos de primeira linha na maioria dos casos.

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